Transformações e Desafios
A Rua 24 Horas é um dos lugares mais emblemáticos de Curitiba, entre as avenidas Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco, no coração da capital paranaense. Criada em 1991, a proposta era ousada: um espaço comercial e cultural que funcionaria dia e noite. Hoje, mais de três décadas depois, a Rua 24 Horas, embora não mantenha mais o funcionamento contínuo, continua a ser um dos endereços mais icônicos da cidade, passando por um reposicionamento que reflete as mudanças no centro da capital.
Idealizada pelo então prefeito Jaime Lerner, a Rua 24 Horas tornou-se um símbolo da inovação urbana de Curitiba. “Ela representou a vanguarda da cidade, sendo a primeira rua coberta 24 horas da América do Sul”, relembra Luiz Breda, empresário e presidente da Comissão de Eventos e Marketing da Rua 24 Horas, conhecida como Cate.
De acordo com ele, a gradual perda do modelo original não pode ser atribuída a um único fator. “A descentralização da cidade, o fortalecimento dos bairros e o crescimento da Região Metropolitana mudaram a dinâmica da vida urbana, que antes estava concentrada no centro nos anos 1990 e início dos anos 2000.” A Rua 24 Horas, no entanto, ainda mantém sua força simbólica, sendo um ponto de encontro e referência turística, mesmo diante dessas transformações.
Funcionamento Atual e Impacto Turístico
Atualmente, a Rua 24 Horas opera em horário comercial e é conhecida por seus serviços, opções gastronômicas e comércio, que atraem tanto visitantes quanto trabalhadores da região central. O perfil do público também se alterou, sendo agora mais influenciado pelo turismo.
A mudança mais significativa foi a transferência do ponto inicial da “Linha Turismo” para a Rua 24 Horas. “Isso foi um pedido da associação de lojistas e deu nova vida à região”, aponta Breda. Com mais de 20 hotéis nas proximidades, a movimentação de turistas se tornou essencial para a vitalidade do local. Uma pesquisa do Instituto Municipal de Turismo, realizada em 2024, destaca a Rua 24 Horas como o 14º atrativo mais visitado de Curitiba, entre os principais pontos turísticos da cidade.
Rodrigo Swinka, presidente do Instituto Municipal de Turismo, ressalta que a Rua 24 Horas se integrou naturalmente aos roteiros turísticos de Curitiba. “Sua localização central e a variedade de opções de alimentação e serviços tornam-na uma parada obrigatória para quem visita a cidade.”
Embora o movimento ainda não tenha voltado aos níveis pré-pandemia, a recuperação é notável. “Estamos vendo o melhor momento desde 2020. Não chegamos ao fluxo de 2019, mas as projeções são otimistas, com novos empreendimentos e ações de revitalização acontecendo no centro”, prevê Breda.
Iniciativas Culturais e o Futuro da Rua 24 Horas
A recuperação do espaço depende, em grande parte, de uma programação cultural intensa. Eventos mensais como brechós, festivais gastronômicos e atividades integradas a grandes eventos da cidade estão ressuscitando a vida na Rua 24 Horas. “Quando a rua está cheia de pessoas, a imagem muda completamente”, comenta Breda.
Entretanto, os desafios urbanos persistem, incluindo segurança, iluminação e infraestrutura, que são cruciais para o sucesso dessa nova fase. Para enfrentar esses problemas, comerciantes e empresários estão formando a associação “Curitiba Downtown”, com a meta de apresentar ao poder público propostas integradas para a área que vai da Praça Osório até o início do bairro Batel. Ricardo Amaral, arquiteto e urbanista, destaca a importância de espaços simbólicos como a Rua 24 Horas na regeneração urbana. “Esses locais reforçam identidades e revitalizam economias locais, mas isso exige investimento contínuo em requalificação e adaptação às novas demandas urbanas”, explica.
A arquiteta e pesquisadora Andressa Muñoz Slompo acrescenta que a vitalidade urbana é impulsionada pela diversidade e pelo uso cotidiano. “A cidade é um organismo vivo; se um espaço simbólico não se adapta, perde sua relevância.” Para ela, a Rua 24 Horas deve combinar elementos como gastronomia, cultura, serviços e programação regular para se tornar um verdadeiro espaço de convivência.
Embora a ideia de um funcionamento 24 horas integral seja inviável atualmente, Breda menciona que eventos pontuais nesse formato estão em discussão. “Nos próximos cinco anos, queremos consolidar a Rua 24 Horas como um hub de cultura, turismo e identidade curitibana, unindo tradição e inovação e ajudando a revitalizar a área central da cidade”, conclui.
