A Saída de Lewandowski e a Indústria de Nomes para a Sucessão
Na última quinta-feira (8), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, apresentou oficialmente sua carta de demissão ao presidente Lula. Desde que tomou posse em fevereiro de 2024, após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal, Lewandowski vinha ocupando um cargo estratégico em um contexto político e social desafiador.
Em sua carta, Lewandowski alegou que a decisão de deixar o ministério se baseia em “razões de caráter pessoal e familiar”. Ele ainda destacou que exerceu suas funções com “zelo e dignidade”. Nos bastidores, no entanto, seu desejo de priorizar a família ficou evidente quando revelou que agora o foco seria “ser ministro dos netos”, o que não surpreendeu os que o cercavam.
A demissão de Lewandowski deve ser oficializada na edição do Diário Oficial da União (DOU) prevista para esta sexta-feira (9). Em sua última agenda como ministro, ele acompanhou o presidente Lula em um evento que marcou os três anos dos tumultuados atos de 8 de janeiro, o que evidencia a relevância de sua posição em momentos críticos.
Um ponto a ser destacado é que, sob a gestão de Lewandowski, a PEC da segurança pública, uma das principais promessas da administração Lula, não foi aprovada no Congresso. Essa proposta visa ampliar a participação da União em operações que combatem o crime organizado, um tema que continua a ser uma prioridade do governo. Além disso, o ex-ministro enfrentou crises significativas, incluindo a notória fuga da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) e a polêmica declaração sobre a eficiência das prisões no país.
Em uma entrevista ao programa Tarde BandNews, o Coronel José Vicente, ex-secretário de segurança pública, fez uma análise crítica da gestão de Lewandowski. Segundo ele, “o governo ficou simplesmente patinando durante esses três anos, sem oferecer respostas efetivas para a segurança pública”. Vicente complementou que, apesar de algumas ações terem sido realizadas, elas foram insuficientes para atender às demandas da sociedade, que enfrenta uma situação alarmante em relação à segurança.
Os dados sobre homicídios no Brasil são preocupantes. Vicente destacou que, apesar de uma leve queda nas taxas de assassinato, o índice de 20 mortes por 100 mil habitantes continua a ser alarmante, especialmente se comparado a países vizinhos, como a Bolívia, que apresenta números significativamente menores.
Conforme informações apuradas pelo repórter Túlio Amâncio, a saída de Lewandowski do cargo gerou uma intensa disputa interna no governo sobre a escolha de seu sucessor, prevista para março. Entre os nomes cogitados, destaca-se o do atual ministro da Educação, Camilo Santana. Interlocutores do Palácio do Planalto consideram que Santana possui características relevantes para o cargo, como habilidade política e experiência na negociação com o Congresso, além do histórico como governador.
O Coronel José Vicente enfatizou que a possível indicação de Camilo Santana representa uma escolha política, ressaltando que, embora o novo ministro não tenha amplo conhecimento sobre segurança, sua experiência política poderia trazer um novo panorama para a pasta. “A solução que está sendo cogitada é o Camilo Santana, que seria uma solução política, com mais capacidade de diálogo político que Lewandowski”, analisou Vicente, observando as limitações de Lewandowski neste aspecto.
Enquanto a definição do novo ministro não é concretizada, a responsabilidade interina pela pasta da segurança pública ficará a cargo do secretário-executivo, Manoel Almeida. O cenário é de expectativa e incerteza diante da necessidade urgente de estratégias eficazes para enfrentar os desafios da segurança pública no Brasil.
