O Impacto da Lei na Educação
O início de 2026 marca o primeiro ano da implementação da Lei nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares e aparelhos eletrônicos nas escolas do Paraná. Esta norma, que abrange tanto instituições públicas quanto privadas e toda a educação básica, foi criada com o objetivo de melhorar o ambiente escolar. Desde a sua adoção, o ruído de conversas e atividades durante os intervalos tem substituído o silêncio antes provocado pela distração das telas.
A regra permite o uso de dispositivos eletrônicos apenas em três circunstâncias: durante atividades pedagógicas autorizadas, por motivos de saúde ou para acessibilidade. Embora ainda não existam dados oficiais divulgados pelo governo estadual, a mudança já é percebida no cotidiano escolar.
Menos Telas, Mais Foco
Uma pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação revelou que 83% dos estudantes relataram uma melhora significativa em sua concentração após a implementação da lei. Este aumento de atenção é ainda mais notável entre os alunos mais jovens, com 88% afirmando que conseguem se concentrar melhor. No Ensino Médio, onde a dependência de dispositivos digitais costuma ser mais acentuada, 70% dos alunos afirmaram estar mais atentos nas aulas.
Além do aumento da concentração, o estudo também aponta uma queda nos casos de violência digital. De acordo com os dados coletados, 77% dos diretores e 65% dos professores notaram uma diminuição nos casos de cyberbullying nas escolas.
Depoimentos das Escolas
No Colégio Professor Guido Straube, em Curitiba, a diretora Juliana Pegoraro Martins descreve a situação como uma “readequação profunda”. Ela comenta que a resistência inicial dos alunos foi superada com o tempo, resultando em ganhos pedagógicos visíveis. “Voltamos a ouvir o barulho do recreio. Houve uma redução drástica em conflitos gerados por redes sociais, como fotos não autorizadas e ofensas em grupos de turma”, afirma Juliana.
Para ela, a nova regra devolveu ao professor a centralidade na sala de aula. “A disputa pela atenção do aluno diminuiu. Eles conseguem manter o foco por mais tempo e a ansiedade baixou”, ressalta.
O Colégio Estadual do Paraná (CEP), que atende a mais de 6 mil alunos, compartilha dessa percepção. Em uma nota, a instituição destacou que a produtividade nos grupos de estudo aumentou e práticas tradicionais, como o uso de livros físicos e jogos em grupo, voltaram a ser frequentes.
Desafios da Educação Digital
Apesar dos avanços observados, a restrição ao uso de celulares nas escolas também traz novos desafios que precisam ser enfrentados. A professora Diene Eire de Mello, doutora em Educação pela UEL, alerta que o papel da escola vai além da proibição; é necessário educar. Ela destaca que, a partir deste ano, as instituições devem seguir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para Computação, que define diretrizes sobre o ensino de cultura e ética digital.
“Mediação é sempre mais eficaz do que proibição”, explica Diene. Para a especialista, embora a lei proteja as crianças de um uso excessivo da tecnologia, o próximo passo deve ser transformar os alunos em aliados no uso consciente desses recursos. É fundamental unir a segurança proporcionada pela restrição com a educação necessária para uma convivência saudável no mundo digital.
