Uma Obra Histórica em Processo de Conservação
Uma das relíquias artísticas de Curitiba, a pintura centenária intitulada ‘Acto da Demarcação do Districto da Villa de Curityba’, está atualmente em um meticuloso processo de conservação e restauro. Criada em 1922 pelo artista Belmiro Barbosa de Almeida, a obra foi temporariamente retirada do Salão Nobre do Palácio 29 de Março, um espaço que simboliza a rica memória institucional da cidade.
A previsão é que a pintura, com dimensões de 2,5 metros de altura por 4,5 metros de largura, retorne ao seu local de origem em novembro. A peça, pintada em óleo sobre tela, retrata um momento crucial na história local, relacionado à formação administrativa e territorial da antiga Vila de Curitiba.
A pintura foi incorporada ao patrimônio municipal em 1940 e faz parte do acervo da Fundação Cultural de Curitiba. No entanto, ao longo dos anos, seu estado de conservação foi se deteriorando, principalmente devido a restaurações anteriores que causaram danos à superfície e à estrutura da tela.
Etapas do Restauro da Pintura
O processo de restauro abrange várias etapas, começando pela higienização geral e remoção do verniz, passos essenciais para a recuperação visual da obra e para o planejamento das próximas fases. Um dos procedimentos mais importantes será o reentelamento, que visa reforçar o suporte da tela com a aplicação de um novo tecido na parte posterior da pintura.
Conforme explica a restauradora Cláudia Calasans, responsável pelo restauro, “A princípio, vamos remover o reentelamento em cera que está pesando na obra e substituí-lo por um novo, mais moderno e menos invasivo.” Antes de ser retirada do Salão Nobre, a pintura passou por um mapeamento completo, que incluiu registros fotográficos detalhados de manchas e desgastes causados pelo tempo.
Esse levantamento inicial serve como guia para todas as etapas do restauro e fundamenta a elaboração de um relatório técnico que assegura transparência e rastreabilidade, além de fornecer suporte para futuras ações de conservação preventiva. Entre os primeiros procedimentos adotados está o faceamento, uma técnica que utiliza um papel ultrafino para proteger a superfície pictórica, garantindo a integridade da obra durante o manuseio, desmontagem da moldura e transporte até o ateliê da restauradora.
A Avaliação Detalhada e Expectativa para o Retorno
Uma vez no ateliê, a pintura centenária será submetida a uma avaliação ainda mais minuciosa, onde serão decididas as intervenções necessárias. A expectativa é que, ao final do restauro, a obra retorne ao Salão Nobre em condições de conservação superiores e com uma aparência que respeite a fidelidade estética original.
Cláudia Calasans ressalta que “O restauro será realizado com extremo cuidado e utilizando técnicas que preservem ao máximo as características originais da obra, assegurando melhores condições para sua conservação futura.” Este projeto é uma demonstração clara do compromisso de Curitiba em valorizar e preservar seu patrimônio cultural, garantindo que futuras gerações possam apreciar essa importante parte da história local.
