Impactos da Reforma Tributária no Setor Agropecuário
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) integrou, na última quinta-feira (29), o seminário intitulado “Reforma Tributária e o Agro”, promovido pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O evento teve como foco a análise das repercussões que as mudanças no sistema tributário trarão para a produção agropecuária no país.
O encontro contou com a presença de representantes de várias entidades do setor, além de especialistas e autoridades públicas, que se reuniram para discutir os efeitos da reforma na rotina dos produtores, abrangendo desde a agricultura familiar até empreendimentos de maior porte. Na abertura do seminário, Domingos Velho, presidente da Farsul, enfatizou a relevância do debate e a importância de uma compreensão mais aprofundada sobre as novas regras que estão por vir.
Durante as discussões, Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da CNA, destacou que a reforma tributária representa uma mudança estrutural no ambiente institucional brasileiro e exigirá uma atenção redobrada dos produtores. Ele apontou que algumas alterações já estão trazendo impactos diretos ao setor, como a implementação do novo modelo de emissão de notas fiscais eletrônicas.
Conchon ainda explicou que o processo de reforma é considerado amplo e gradual, envolvendo a análise de aspectos regulatórios, institucionais e operacionais. Ele ressaltou que a CNA está atenta a cada passo desde o início da tramitação no Congresso Nacional e tem atuado de forma ativa na fase de regulamentação, com o objetivo de apresentar contribuições que promovam segurança jurídica e facilitem a adaptação do setor rural às novas exigências.
Outro ponto abordado foi a necessidade de mudança de postura dos produtores. Segundo Conchon, é essencial que os profissionais do campo compreendam o novo sistema tributário para evitar repercussões negativas em suas finanças e na gestão das propriedades. A capacitação e o acesso à informação foram destacados como fatores cruciais nesse processo de transição.
A secretária estadual da Fazenda do Rio Grande do Sul, Pricilla Maria Santana, também fez uma observação importante: o ano de 2026 será determinante para a consolidação do novo modelo tributário. Ela afirmou que, apesar de alguns avanços significativos que foram preservados para o agronegócio, será fundamental acompanhar de perto as definições infralegais, especialmente nas discussões do Comitê Gestor da reforma.
O seminário ainda contou com a participação de especialistas das áreas contábil, jurídica e agronômica, que trouxeram um olhar técnico sobre a reforma tributária e seus reflexos na atividade produtiva. As palestras reforçaram a necessidade de preparação e planejamento por parte do setor agropecuário para enfrentar as mudanças que estão por vir.
