Transformação no Setor Energético
A Refinaria Riograndense, situada em Rio Grande, está passando por um momento crucial em sua trajetória de quase 90 anos. Fundada em 1937, a unidade inicia uma virada estratégica em 2024, que a reposiciona como uma referência global em biorrefino, o que deve ter reflexos diretos na economia local e, em especial, no agronegócio da Zona Sul do Estado.
No dia 26 de janeiro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu duas autorizações inéditas à refinaria: o processamento contínuo de matéria-prima 100% renovável e a comercialização do Bio-GL, um equivalente sustentável ao gás liquefeito de petróleo (GLP), usado tradicionalmente como gás de cozinha. Essa operação marca o início da primeira fase da conversão da refinaria para o biorrefino, com implementação programada ainda para o primeiro trimestre deste ano.
Inovações Sustentáveis e Impacto Econômico
Flávio Mingorance, head de Biorefino da Refinaria, destaca que o projeto visa transformar uma planta que anteriormente era pouco competitiva em uma unidade de classe mundial, utilizando óleos vegetais e resíduos agroindustriais. “Estamos deixando de lado o petróleo para processar cargas renováveis, como óleo de soja, canola e carinata. Essa mudança garante não apenas a sustentabilidade econômica, mas também a ambiental e social a longo prazo”, explica.
A transição para a biorrefinaria não impacta apenas o setor energético, mas também promete ampliar e diversificar a produção agrícola local. A demanda por matérias-primas agrícolas vai favorecer o cultivo de canola e carinata, criando novas oportunidades de renda para os agricultores e fortalecendo as cadeias locais de beneficiamento, logística e serviços. Segundo especialistas, além dos cerca de 1 bilhão de dólares em investimentos diretos na refinaria, outros 1 a 1,5 bilhões de dólares podem ser movimentados nas proximidades, especialmente no agronegócio.
Perspectivas Futuras e Geração de Empregos
O projeto é resultado da colaboração entre três grandes grupos: Petrobras, Ultra e Braskem. Além da fase inicial, a refinaria planeja uma segunda fase ainda mais robusta, que incluirá a produção de Diesel Verde (HVO) e Combustível Sustentável de Aviação (SAF). A decisão final de investimento está prevista para o primeiro semestre de 2026, com operação total prevista para 2028.
Durante o período de obras, a refinaria estima gerar entre 4 mil e 5 mil empregos diretos. Além disso, os novos formatos de operação demandarão perfis profissionais inovadores, o que incentivará a formação de mão de obra qualificada nas universidades da região. “Estamos lidando com uma indústria pioneira no mundo, que irá desenvolver competências tanto no agronegócio quanto na cadeia de biocombustíveis”, afirma Mingorance.
Oportunidades para o Agronegócio Regional
Com uma localização logística privilegiada, próxima ao porto e a áreas produtivas importantes, tanto no Brasil quanto no Uruguai e Argentina, a Refinaria Riograndense se consolida como uma peça chave na transição energética e no desenvolvimento sustentável do agronegócio regional. Para o Rio Grande do Sul, o projeto não representa apenas uma inovação industrial, mas uma nova fronteira de crescimento econômico, baseada na integração entre agricultura, indústria e energia renovável. “Todo o povo do RS deve sentir-se orgulhoso desse projeto, que é inovador e pioneiro no estado e no Brasil”, conclui Mingorance.
