Mudanças na Grade Curricular de Curitiba
A Prefeitura de Curitiba anunciou a redução no número de aulas de história e geografia para os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A decisão, que foi formalizada na Instrução Normativa Nº 16, publicada em dezembro de 2025, também introduziu o conceito de docência compartilhada, onde trios de professores serão responsáveis por duas turmas.
Essa reestruturação não apenas limita os conteúdos das Ciências Humanas, mas também reestabelece as aulas de língua inglesa, agora oferecidas apenas para o 3º ano. No ano anterior, a Prefeitura havia implementado cursos de línguas para o 2º e o 4º ano por meio do programa Multilíngues Mirins, que substituiu o Curitibinhas Poliglotas, criado na gestão de Rafael Greca.
De acordo com educadoras consultadas pelo Plural, a nova abordagem levou à diminuição do número de turmas de línguas estrangeiras, uma vez que as aulas eram anteriormente acessíveis a alunos de diferentes anos. Em dezembro de 2024, segundo informações da Prefeitura, cerca de 14,5 mil alunos tiveram acesso a aulas de idiomas como inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e japonês nas escolas municipais. Entretanto, no ano passado, durante o primeiro ano da administração de Pimentel, não houve divulgação de dados sobre a participação no programa Multilíngues Mirins.
Carga Horária e Críticas
Com as novas diretrizes, disciplinas como história, geografia, matemática financeira e ensino religioso passarão a ter a mesma carga horária nas escolas. O Sismmac (Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba) manifestou sua insatisfação em relação à diminuição das aulas de história e geografia. O sindicato argumentou que a mudança vai de encontro ao modelo de educação de países desenvolvidos, que priorizam uma formação crítica. Para eles, essa abordagem é reflexo de um projeto elitista, que utiliza a influência política para moldar uma sociedade menos crítica.
A Instrução Normativa 16 também prevê a implementação da docência compartilhada como um método para melhorar a qualidade do ensino, através de um planejamento coletivo entre os professores do Ensino Fundamental I. Contudo, para o Sismmac, essa medida é vista como um simples “malabarismo organizacional”. O sindicato criticou a falta de investimentos na contratação de novos professores, enfatizando que a Prefeitura está substituindo uma política educacional sólida por soluções temporárias e que isso exacerba a carga de trabalho dos educadores.
Questões Estruturais nas Escolas
Além das mudanças curriculares, educadores que retornaram às atividades no início de fevereiro relataram que os sistemas de ar-condicionado instalados nas escolas ainda não estão operando. Essa instalação foi anunciada em outubro do ano passado pelo prefeito Eduardo Pimentel, prevendo a conclusão da primeira fase em 154 escolas até junho. O investimento inicial previsto para essa fase é de R$ 50 milhões, com a promessa de que todas as escolas receberão os aparelhos até o final do mandato, em 2028.
Grade Curricular Atualizada
A nova grade curricular traz algumas alterações significativas na carga horária de cada disciplina nas escolas estaduais. Nos 1º, 2º e 4º anos, a distribuição é a seguinte:
- Língua Portuguesa: 6 aulas semanais
- Arte: 1 aula semanal
- Educação Física: 2 aulas semanais
- Matemática: 5 aulas semanais (incluindo uma sobre Matemática Financeira)
- Ciências: 2 aulas semanais
- História: 1 aula semanal
- Geografia: 1 aula semanal
- Ensino Religioso: 1 aula semanal
- Educação Digital e Computação: 1 aula semanal
Para o 3º ano, a carga horária é diferenciada:
- Língua Portuguesa: 5 aulas semanais
- Língua Inglesa: 1 aula semanal
- Arte: 1 aula semanal
- Educação Física: 2 aulas semanais
- Matemática: 5 aulas semanais (incluindo uma sobre Matemática Financeira)
- Ciências: 2 aulas semanais
- História: 1 aula semanal
- Geografia: 1 aula semanal
- Ensino Religioso: 1 aula semanal
- Educação Digital e Computação: 1 aula semanal
