O Protagonismo Feminino na Ciência
Com um investimento significativo de R$ 23,5 milhões, o Governo do Paraná está consolidando a presença feminina na produção científica através da Rede de Clubes de Ciência. Atualmente, a iniciativa reúne 290 clubes em 275 escolas do estado, envolvendo aproximadamente 4.650 alunos, sendo 55% deles meninas. Essa estrutura não apenas promove o aprendizado científico, mas também fomenta núcleos exclusivos para mulheres, com cerca de 200 participantes.
Integrada ao programa Paraná Faz Ciência, esta ação é uma parceria entre a Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR) e a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), além da Fundação Araucária. O secretário estadual da educação, Roni Miranda, destaca que a proposta amplia oportunidades e fortalece o envolvimento dos estudantes com a ciência desde a educação básica, beneficiando toda a comunidade escolar e preparando profissionais mais qualificados para o futuro.
Desenvolvendo Competências e Estimulando a Curiosidade
Marcos Aurélio Pelegrina, diretor de Ciência e Tecnologia da Seti, reforça a importância de garantir a continuidade e ampliação dos resultados alcançados pela rede. Ele explica que a proposta fortalece a cultura científica, estimula o senso crítico e promove o trabalho em equipe entre os jovens paranaenses. “A iniciativa não só enriquece a formação na educação básica, mas também incentiva o caráter investigativo e a produção de trabalhos para eventos científicos”, afirma.
Um exemplo prático dessa dinâmica está no Colégio Estadual Rui Barbosa, em Jandaia do Sul. O Clube de Ciências, que se apresenta como uma Cooperativa de Iniciação Científica (Coopic), foi responsável pela criação de um sorvete proteico enriquecido com extrato de Lemna minor, a lentilha-d’água. Eloísa Vitória Ferreira da Silva, uma das alunas envolvidas no projeto, compartilha sua experiência: “Queremos que seja um produto saudável e saboroso, que possa ser consumido nas escolas e chegue ao mercado”. A descoberta das propriedades nutricionais da lentilha-d’água a surpreendeu, revelando o potencial educacional da pesquisa.
Transformando a Relação com a Ciência
Participar do projeto não apenas ensinou Eloísa sobre técnicas científicas, mas também a ajudou a desenvolver habilidades de comunicação. Antes tímida, ela agora se sente mais confiante para apresentar seus trabalhos. “A participação no clube me mostrou que a ciência não é algo distante. Aprendi que envolve curiosidade e descoberta, e isso me fez considerar a ciência como uma possibilidade para o meu futuro”, ressalta.
A professora Liliam Keidinez Bachete da Conceição Rabassi, que orienta o projeto, destaca que a experiência transforma as alunas em protagonistas do próprio aprendizado. Elas passam a vivenciar etapas que antecipam a experiência acadêmica, elevando o rigor técnico e ampliando suas perspectivas para o ensino superior. “Quando uma menina se destaca em um projeto científico, isso inspira outras a acreditarem que também podem ocupar esses espaços”, afirma Liliam.
Inovação e Engajamento nas Ciências
Outro exemplo significativo vem do Clube de Ciências Friends of Science, do Colégio Euzébio da Mota, em Curitiba. Hasly de Jesus Pantoja Aviles, de 15 anos, participa da criação de um protótipo de seguidor solar, que visa aumentar a eficiência na captação de energia solar. Hasly, que se mudou da Venezuela há quatro anos, encontrou na pesquisa científica um espaço de aprendizado e pertencimento. “Pensamos em criar um sistema que acompanhe o movimento do sol. Esse projeto é uma contribuição concreta para o uso de energias renováveis”, explica.
A construção do protótipo exigiu testes constantes e ajustes, proporcionando a Hasly uma experiência que reforça a importância da investigação científica. “A pesquisa envolve testar e ajustar continuamente, mostrando que o conhecimento se constrói com cada tentativa”, afirma. Para ela, é fundamental aumentar a presença feminina em áreas científicas, pois a diversidade de perspectivas enriquece as soluções.
Política com Visão em Longo Prazo
Lançada em setembro de 2024, a Rede de Clubes de Ciência busca estimular a iniciação científica desde a educação básica, promovendo um elo mais forte entre as escolas e as universidades. Débora de Mello Gonçales Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), destaca que o objetivo é garantir pelo menos 50% de participação feminina nos clubes, reforçando a presença de meninas no universo científico. “Os clubes se consolidam como ambientes favoráveis ao protagonismo e isso é evidente no desempenho das alunas em feiras e eventos científicos”, conclui.
