Um Acordo de Paz Após Décadas de Conflito
Na última quarta-feira, 4 de fevereiro, as delegações da República da Armênia e da República do Azerbaijão foram homenageadas com o Prêmio Zayed para a Fraternidade Humana 2026, em cerimônia realizada no Founders Memorial, em Abu Dhabi. O prêmio reconhece o histórico acordo de paz assinado entre os dois países caucasianos, que ocorreu em 8 de agosto de 2025, em Washington, EUA. Nesta sétima edição do prêmio, também foram contemplados a ativista afegã pela educação das meninas, Zarqa Yaftali, e a organização sem fins lucrativos palestina Taawon.
Em Busca da Paz Duradoura
Representando o Azerbaijão, o presidente Ilham Aliyev ressaltou a relevância do reconhecimento, ressaltando que o prêmio honrosamente leva o nome do Sheikh Zayed bin Sultan Al Nahyan, pai fundador dos Emirados Árabes Unidos, e conta com o apoio de Sua Santidade o Papa Leão XIV e do Grão Imã de Al-Azhar, Sheikh Ahmed Al-Tayeb. Aliyev recordou as mais de três décadas de conflito entre sua nação e a Armênia, afirmando que os últimos seis meses marcam um novo começo. “Depois de mais de 30 anos de guerra, agora vivemos em paz há seis meses”, declarou o presidente, emocionado. Ele acrescentou que essa transição é um momento especial e que a paz foi alcançada por meio da determinação política e do suporte internacional.
A Paz como Modelo para o Futuro
O presidente do Azerbaijão acredita que o acordo firmado pode servir de exemplo para outros países em conflito. “Nosso caso demonstra que a paz é viável, mesmo diante de desconfianças e sofrimentos. A vontade política é fundamental para que se alcance a paz”, destacou Aliyev. Por sua vez, o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, enalteceu a importância do prêmio, afirmando que ele simboliza o apoio tanto de líderes muçulmanos quanto cristãos na busca pela paz entre as duas nações. Pashinyan também frisou que o prêmio pertence, na verdade, aos povos de Armênia e Azerbaijão, dedicando a conquista às esperanças de ambos os lados pela paz.
Defesa da Educação das Meninas
O prêmio também foi concedido à ativista Zarqa Yaftali, reconhecida por sua incansável luta pelos direitos à educação de meninas e mulheres no Afeganistão. Em seu discurso, Yaftali declarou que esse prêmio é mais do que um reconhecimento pessoal, é uma grande responsabilidade. “Dedico essa homenagem às mulheres e meninas afegãs que, mesmo enfrentando privação de direitos, continuam a erguer suas vozes com dignidade e coragem”, afirmou a ativista. Ela recordou que, há alguns anos, as meninas podiam ir à escola livremente, enquanto as mulheres participavam ativamente da sociedade em diversas áreas.
Enfrentando Desafios
“Hoje, a realidade é outra”, disse Yaftali, destacando a grave situação de privação sistemática dos direitos das mulheres, que não deve ser enfrentada em silêncio. A ativista citou os ensinamentos islâmicos, afirmando que a busca pelo conhecimento deve ser acessível tanto a homens quanto a mulheres: “Essa é uma luta que devemos enfrentar juntos”, enfatizou.
Compromisso Humanitário com os Palestinos
A organização Taawon foi premiada por seu trabalho humanitário em prol de mais de um milhão de palestinos anualmente, atuando na Cisjordânia, Gaza e campos de refugiados no Líbano. Suas iniciativas buscam preservar a dignidade humana e promover a resiliência através de programas nas áreas de educação, saúde e desenvolvimento comunitário. O Prêmio Zayed para a Fraternidade Humana é uma distinção internacional que homenageia indivíduos e instituições que promovem solidariedade, integridade, equidade e esperança. O júri responsável pela seleção dos premiados também inclui o cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação.
