Iniciativa visa oferecer transporte seguro e confortável para mulheres na capital paranaense
Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Curitiba propõe a criação de ônibus exclusivos para mulheres. A iniciativa, que é de autoria da vereadora Meri Martins, do partido Republicanos, ainda aguarda análise nas comissões da casa legislativa.
Conforme a proposta, os ônibus destinados exclusivamente ao público feminino devem operar prioritariamente nas linhas estruturais da cidade, como os biarticulados e ligeirinhos. O serviço será disponibilizado em dias úteis, nos horários de pico: das 6h às 9h e das 17h às 20h.
A justificativa da vereadora Martins para a criação desse projeto é a proteção das mulheres contra situações de assédio e violência. “A proposta busca oferecer uma alternativa facultativa, respeitando a liberdade de escolha das usuárias, sem excluir ou restringir o acesso aos ônibus de uso misto”, explica a vereadora.
Caso a proposta seja aprovada, crianças e adolescentes de até 14 anos, independentemente do sexo, também poderão utilizar os ônibus exclusivos. Importante ressaltar que o uso desses veículos não será obrigatório. As mulheres terão a opção de escolher entre utilizar os ônibus exclusivos ou os convencionais.
Histórico de Propostas Análogas na Câmara Municipal
Vale lembrar que, em 2014, um projeto similar foi rejeitado na Câmara de Curitiba. Na época, o autor, Roberto Campos, argumentou que as mulheres enfrentam situações desconfortáveis e até perigosas devido à superlotação dos ônibus nos horários de pico. “Além da prática de crimes, muitas vezes, pela situação de lotação dos ônibus, as mulheres ficam em situações desconfortáveis, causando, inclusive, constrangimento”, afirmou.
Durante a votação daquele ano, apenas sete parlamentares manifestaram apoio à ideia. Essa rejeição, porém, não diminuiu o debate sobre a segurança das mulheres no transporte público. A proposta atual surge em um contexto de crescente preocupação com a violência de gênero e o assédio em espaços públicos.
Outras cidades brasileiras já implementaram iniciativas semelhantes, buscando assegurar um transporte mais seguro para o público feminino. A experiência de outras localidades poderá servir de modelo para Curitiba, ampliando a discussão sobre a segurança nos transportes públicos e a necessidade de medidas eficazes que garantam o bem-estar das usuárias.
Com a tramitação do projeto, a expectativa é que o debate se intensifique, envolvendo tanto a população quanto especialistas em segurança pública e direitos das mulheres. A proposta pode abrir novas possibilidades de diálogo sobre como melhorar a infraestrutura do transporte coletivo e, ao mesmo tempo, promover um ambiente mais seguro para todos os cidadãos.
