Preocupações com a mobilidade urbana em Balneário Camboriú
De acordo com a Secretaria de Turismo, Balneário Camboriú registrou entre 1 de novembro de 2025 e 28 de fevereiro de 2026, a chegada de 4.016 ônibus, transportando 166.507 turistas. Os principais emissores foram: Brasil (1.834 ônibus e 70.971 passageiros), Argentina (1.054 ônibus e 50.061 passageiros), Paraguai (465 ônibus e 22.241 passageiros), Uruguai (350 ônibus e 13.437 passageiros) e Chile (296 ônibus e 9.269 passageiros). A circulação desse volume de ônibus no coração da cidade durante a alta temporada é um tema que exige urgência nas discussões sobre o Plano Municipal de Turismo (PMT), iniciado pela Secretaria de Turismo em março, com o objetivo de estruturar e aprimorar as diretrizes para os próximos dez anos.
A cidade tem apresentado um crescimento expressivo, e o perfil do turista se torna cada vez mais exigente. Embora o turismo continue a ser um pilar essencial para a economia local, a mobilidade urbana se tornou uma preocupação crescente. O trânsito em Balneário Camboriú, se não for tratado, pode enfrentar um caos absoluto nos próximos anos. O problema não se limita apenas ao tráfego interno, mas também afeta as viagens para cidades vizinhas, que se tornam cada vez mais demoradas.
Pela BR-101, o acesso à cidade se complica e trajetos que costumavam durar horas, como de Curitiba a Balneário Camboriú durante feriados prolongados, agora podem levar até oito horas. A congestão já é visível nas avenidas, que enfrentam um fluxo incessante de carros, motos, patinetes e, claro, os ônibus de turismo, que estacionam na Avenida Brasil para operações de embarque e desembarque, causando frustrações entre motoristas e pedestres.
Histórico de reclamações e tentativas de solução
O Página 3, veículo de comunicação local, recebe constantes reclamações sobre os ônibus de turismo no centro da cidade, principalmente durante a alta temporada. Nesta época, as queixas se dividem entre os ônibus e os patinetes, que circulam em ciclovias e calçadas, aumentando a sensação de insegurança. Além disso, há preocupações com o tráfego de carga e descarga em horários inadequados, fazendo com que a cidade se torne ainda mais complicada para se locomover.
No final do ano passado, a prefeitura implementou novos decretos para regulamentar o trânsito de ônibus de turismo. O Decreto nº 12.918/2025 estabelece um sistema de rotas para a circulação e operação desses veículos, limitando o tempo de parada para embarque e desembarque a 15 minutos e proibindo o estacionamento em vias públicas, exceto em zonas designadas. Além disso, o traslado para atrações turísticas deve ser realizado apenas por serviços autorizados.
Desafios e opiniões sobre a circulação de ônibus de turismo
O vice-prefeito Nilson Probst destacou que a questão da circulação de ônibus de turismo precisa ser debatida com planejamento e diálogo com o setor turístico. Três opções são consideradas: manter o modelo atual, restringir a circulação apenas ao trajeto entre os hotéis, ou criar um terminal fora da área central, para onde os turistas seriam transportados. Probst acredita que a restrição de circulação é a alternativa mais factível no curto prazo.
Evandro Neiva, secretário de Turismo, ressaltou a importância de alinhar as ações com o BC Trânsito, além de mencionar que o aumento na mobilidade urbana é impulsionado por veículos individuais, embora os ônibus de turismo gerem impactos pontuais. A integração entre as secretarias e a busca por soluções que equilibrem o crescimento econômico com a qualidade de vida na cidade são essenciais.
Por sua vez, o presidente do BC Trânsito, Evaldo Hoffmann, enfatizou que a saturação do trânsito não é causada apenas pelos ônibus de turismo, mas pela grande quantidade de veículos particulares. Ele detalhou as ações que estão sendo tomadas para melhorar a fluidez do trânsito e mencionou a necessidade de um planejamento técnico para o futuro, envolvendo alternativas como a criação de bolsões para estacionamento.
Propostas para um futuro melhor
Marcelo Achutti, vereador, sugeriu que uma combinação de medidas, como a criação de pontos de embarque e fiscalização, pode facilitar a circulação. A utilização de tecnologia para monitoramento e ajuste das regras conforme o fluxo de veículos é uma alternativa que pode ajudar a organizar o trânsito. Margot Rosenbrock Libório, hoteleira, reforçou a importância da fiscalização para garantir que as regras sejam respeitadas, além de sugerir a necessidade de monitoramento digital.
A discussão sobre a mobilidade em Balneário Camboriú é essencial para o futuro da cidade. Há um consenso de que as soluções precisam ser pensadas de forma integrada, envolvendo o poder público, o setor produtivo e a comunidade. O desafio está em garantir que a cidade continue a crescer, mas com qualidade de vida e eficiência no tráfego, para que residentes e turistas possam aproveitar tudo o que Balneário Camboriú tem a oferecer.
