Frota de Ônibus em Curitiba Atinge Idade Avançada
Em Curitiba, a situação do transporte coletivo é alarmante: 57,6% da frota, composta por 1.300 ônibus, já ultrapassou a marca de 10 anos de uso. Dentre os veículos, 749 continuam operando, incluindo micro-ônibus, ônibus comuns, biarticulados, híbridos e elétricos. O problema se acentua entre os ônibus comuns, onde, dos 481 veículos, 256 estão fora da vida útil, ou seja, representam 55% da frota. No caso dos biarticulados, dos 165 veículos, 101 têm mais de uma década de operação, o que corresponde a 61% desse grupo.
A Setransp, entidade responsável pelo transporte na cidade, divulgou que a renovação da frota depende da autorização da Urbanização de Curitiba (Urbs). Desde 2017, a entidade tem solicitado essa liberação, mas ainda não recebeu resposta positiva, especialmente em virtude da iminente nova concessão do transporte coletivo, prevista para 2027.
Manutenção e Custo da Tarifa
Em nota, a Setransp esclareceu que as empresas que operam os ônibus realizam manutenções periódicas. Além disso, há uma inspeção veicular conduzida por equipes técnicas, que inclui blitz nas garagens durante a madrugada, com o objetivo de garantir a segurança dos veículos em operação. Segundo a nota, todo esse processo segue os padrões de segurança estabelecidos pela Urbs.
Atualmente, o custo da passagem para os passageiros é de R$ 6, enquanto o valor recebido pelas empresas para cada viagem é de R$ 8,53. A diferença de R$ 2,53 é coberta pela Prefeitura de Curitiba, que destina quase R$ 28 milhões em subsídios para a manutenção do sistema. Dentro desse valor, cerca de 6% é destinado à amortização dos ônibus, o que garante que as empresas tenham recursos para a renovação da frota ao final do ciclo de vida dos veículos.
Para se ter uma ideia, quando uma empresa adquire um ônibus e o coloca em operação, ela começa a receber a amortização prevista. No entanto, após 10 anos, esse repasse é suspenso, impactando diretamente a rentabilidade das operadoras. Em suma, a lógica de mercado indica que é mais viável para as empresas ter ônibus novos em circulação.
Impactos da Pandemia na Renovação da Frota
Antes da pandemia, aproximadamente 250 ônibus eram renovados anualmente. Contudo, a crise sanitária causou um desequilíbrio no sistema, levando a um adiamento na renovação da frota. Com a nova concessão do transporte coletivo se aproximando, a Urbs destaca que não há tempo suficiente para a compra e amortização de novos veículos, o que representa um desafio significativo para o setor.
Ogeny Pedro Maia Neto, presidente da Urbs, comentou sobre a situação: “As empresas teriam que renovar e adquirir mais ônibus, iniciando um novo ciclo de amortização. Como estamos em uma fase transitória entre contratos, temos apenas um ano e meio para a amortização, o que encareceria enormemente o custo da tarifa técnica para o município. Portanto, é arriscado investir nesse momento; por isso, estamos intensificando as inspeções veiculares”.
