Legado de Nilson Müller nas Artes Visuais do Paraná
A cultura paranaense se despediu, nesta segunda-feira (5), de Nilson Waldir Müller (1941–2026), um artista plástico, ilustrador, escultor e cenógrafo que deixou uma marca indelével nas artes visuais do estado ao modernizar o personagem Zequinha, um verdadeiro ícone da cultura paranaense. Natural de Curitiba, Nilson iniciou sua trajetória artística na infância, copiando quadrinhos e consolidou uma carreira essencial para o desenvolvimento da ilustração, cenografia e das narrativas gráficas no Paraná.
Aos 12 anos, conheceu Guido Viaro no Centro Juvenil de Artes Plásticas, o que o incentivou a cursar a Faculdade de Belas Artes. Durante essa fase, aprendeu com grandes mestres, como Osvaldo Lopes, e começou a se destacar em importantes salões artísticos paranaenses, como o Salão dos Novos, da Biblioteca Pública do Paraná. Sua habilidade artística foi reconhecida desde jovem, quando se profissionalizou aos 16 anos, tornando-se o primeiro cenógrafo de televisão do estado, abrindo novas possibilidades para a linguagem visual na mídia local.
Contribuições e Reconhecimento de Nilson Müller
Com uma carreira marcada pela ilustração publicitária e editorial, Müller não apenas criou personagens que se tornaram parte da identidade cultural paranaense, mas também se destacou no universo das histórias em quadrinhos. Sua trajetória foi premiada em diversas ocasiões, incluindo o Salão Paranaense, o Salão dos Novos da Biblioteca Pública do Paraná e o Prêmio Qualidade Brasil.
“Nilson Müller deixa um legado essencial para a história da arte, da ilustração e das narrativas gráficas no Paraná, com uma obra que segue inspirando artistas de diversas gerações”, enfatizou a secretária de Estado da Cultura, Luciana Casagrande Pereira. “Ele moldou nossa identidade curitibana e paranaense através de sua icônica obra.”
O Personagem Zequinha: História e Modernização
Crescidos no Paraná entre o final dos anos 1970 e início dos anos 1980, muitos lembram do Zequinha: um senhor careca e risonho, com gravata-borboleta e maquiagem de palhaço, cuja presença nas figurinhas retratava o cotidiano paranaense. Criado em 1928 para promover balas de uma fábrica local, o personagem se tornou um ícone cultural. Inicialmente desenhado por Alberto Thiele e Paulo Carlos Rohrbach, o Zequinha foi modernizado por Nilson Müller em 1979, para o álbum de figurinhas Clube do Zequinha, e essa reformulação ajudou a manter sua relevância ao longo das décadas.
Na época, Nilson trabalhava como desenhista comercial e, quando o governo do estado abriu licitação para a modernização do personagem, recebeu o desafio de redesenhar o Zequinha, que poderia ser trocado por notas fiscais, fazendo parte da memória afetiva de uma geração de paranaenses.
A Relação de Nilson Müller com a Cultura Paranaense
A conexão de Nilson Müller com as instituições culturais do Paraná foi profunda e duradoura. Sua formação no Centro Juvenil de Artes Plásticas e sua influência no Museu Alfredo Andersen marcaram sua carreira. Além disso, diversos cenários do Zequinha estão relacionados a locais emblemáticos, como o Museu Oscar Niemeyer e o Museu Paranaense, que também fazem parte da história cultural do estado.
“Desenhar o Zequinha no Museu Casa Alfredo Andersen tinha um significado especial para mim. Eu morava perto e tinha uma ligação muito próxima com a arte desde jovem. Thorsten, filho de Alfredo Andersen, nos ensinou a observar e a criar com segurança. Isso moldou meu caminho na arte desde cedo”, relembrou Müller em uma entrevista anterior.
Um Legado que Perdura
“Zequinha transcende o campo da ilustração, consolidando-se como um símbolo de identidade e memória afetiva. Nilson sempre será lembrado em nossos corações, e o Zequinha continuará presente em nossas memórias”, afirmou Luiz Gustavo Vidal, diretor do Complexo Alfredo Andersen.
O impacto de Nilson Müller na cultura paranaense é inegável, e seu trabalho seguirá a inspirar novas gerações de artistas e amantes da arte. Seu legado é uma parte vibrante da história cultural do Paraná, que reverbera através das décadas.
