Turismo e consumo aquecem a economia curitibana no Natal
Com início marcado para 24 de novembro, a programação do Natal de Curitiba tem potencial para atrair 3,4 milhões de visitantes, dos quais mais de 515 mil são turistas. Os dados do Instituto Municipal de Turismo (IMT) e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Paraná (ABIH-PR) indicam que a temporada pode movimentar cerca de R$ 800 milhões na economia da capital paranaense.
O otimismo se baseia nos resultados recentes. Em 2025, o Natal da cidade já havia gerado R$ 722 milhões, um crescimento de 80% em relação ao ano anterior. Naquela ocasião, foram registrados mais de 3 milhões de espectadores e cerca de 470 mil turistas, que impulsionaram a ocupação hoteleira média para 90%, alcançando lotação máxima no Centro durante os eventos principais. Para a edição atual, o setor espera superar essas marcas, especialmente em hospedagem.
Setores que mais se beneficiam da temporada natalina
Levantamentos da Fecomércio PR destacam que o período natalino é o principal motor do comércio de rua e da gastronomia no último trimestre do ano. Restaurantes localizados na região central registram aumento de até 30% no faturamento. Nas padarias, a procura por ceias prontas eleva as encomendas entre 5% e 8% em comparação ao ano anterior.
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A hotelaria e o turismo também se destacam: a ocupação próxima de 100% nos dias de grandes apresentações beneficia agências de viagem e redes de transporte, que recebem visitantes do interior do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo. Além disso, a economia criativa e o comércio local aproveitam o apelo natalino para acelerar a venda de artesanato, feiras temáticas e pequenos negócios, ajudando a girar o estoque até o fim de dezembro.
Planejamento é chave para pequenos negócios aproveitarem o Natal
Apesar da perspectiva positiva de faturamento, o economista Julio Woolley alerta que o impulso das vendas natalinas não garante saúde financeira durante o ano inteiro. Segundo ele, o aumento nas receitas funciona como um alívio temporário para vários setores, com duração de dois a três meses. Janeiro, fevereiro e março costumam ser períodos difíceis para o comércio.
Para evitar problemas financeiros na transição do ano, especialmente com despesas como a segunda parcela do 13º salário, rescisões de contratos temporários e impostos como IPTU e IPVA, Woolley recomenda o provisionamento. Essa estratégia consiste em reservar parte do lucro obtido durante o Natal para cobrir os custos dos meses mais fracos.
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“O empresário precisa manter uma reserva financeira, injetando capital fixo no caixa ao longo do ano. Além disso, é fundamental controlar despesas e eliminar gastos desnecessários. Assim, mesmo diante de períodos de baixa, as contas se mantêm equilibradas”, explica o economista.
Desafios fiscais e financeiros no final do ano
O encerramento do ciclo anual em Curitiba traz ainda um calendário rigoroso para os empresários, que precisam alinhar o fluxo de caixa ao pagamento de encargos trabalhistas e ao planejamento tributário do primeiro trimestre. A movimentação provocada pelo pagamento da primeira parcela do 13º salário soma-se à expectativa de recursos gerados pelo Natal, exigindo disciplina financeira.
Em um cenário marcado pela volatilidade nos preços dos materiais e pelo custo elevado do crédito, aproveitar o pico de vendas natalino e manter rigor no controle das contas são estratégias essenciais para garantir a sustentabilidade e competitividade dos negócios em 2027.
