Angústia e Insegurança na Venezuela
Após um ataque em grande escala realizado por forças militares dos Estados Unidos, a população da Venezuela enfrenta uma corrida desesperada por alimentos e itens essenciais, de acordo com Francisco Rodriguez, um morador de Curitiba que se encontra no país visitando a família. Ele compartilha que o medo domina as ruas, levando muitos a se precaverem contra a escassez.
“As pessoas estão comprando comida, temem não apenas a falta de comida, mas também a falta de energia elétrica e internet. O povo venezuelano está apreensivo em relação ao que pode ocorrer a partir de agora”, afirma Rodriguez.
O ataque ocorreu na madrugada do último sábado (3), e foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, que também anunciou a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Durante a madrugada, uma série de explosões foram relatadas em Caracas, com ao menos sete ocorrendo em um intervalo de 30 minutos, segundo a Associated Press.
Após sete anos afastado de seu país natal, Francisco tinha viajado para o interior da Venezuela para passar o Natal com a família. Foi um dos parentes que o alertou sobre a situação alarmante na capital. “Comecei a acompanhar as informações através dos jornais, da internet e dos grupos de amigos que tenho em Caracas. Atualmente, a situação parece estar mais controlada e tranquila”, conta ele.
Um incêndio atingiu Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, após as explosões em Caracas no dia 3 de janeiro de 2026. — Foto: STR / AFP
Curitiba e a Comunidade Venezolana
Curitiba se destaca como a cidade brasileira que mais acolheu migrantes venezuelanos, através da Operação Acolhida, que é coordenada pelo Subcomitê Federal de Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade. Entre abril de 2018 e novembro de 2025, cerca de 8.930 venezuelanos foram acolhidos na capital paranaense.
O Paraná figura como o terceiro estado brasileiro com a maior população de venezuelanos. Dados do Observatório das Migrações Internacionais indicam que mais de 87 mil venezuelanos residem no estado, enquanto o Brasil inteiro abriga mais de 575 mil dessa comunidade. Muitos migrantes expressam um profundo sentimento de apreensão ao acompanhar as notícias sobre o ataque.
Alexandre Figueroa, um venezuelano que reside em Maringá, no norte do Paraná, compartilha sua perspectiva sobre o clima de incerteza. “A ansiedade é o principal sentimento neste cenário. Queremos ver tudo isso terminar, mas, por enquanto, a situação ainda é instável. Não sabemos se haverá novos ataques ou onde podem ocorrer. Nosso desejo é que tudo chegue a um final feliz”, desabafa ele.
Implicações da Crise
A crise na Venezuela, intensificada por recentes eventos de violência e instabilidade política, continua a afetar não apenas os cidadãos locais, mas também os que vivem fora do país. O clima de medo e incerteza permeia as conversas entre os venezuelanos no Brasil, que, mesmo a milhares de quilômetros de distância, sentem na pele as consequências dos conflitos que assolam sua terra natal. As informações em tempo real provenientes das mídias sociais e grupos de mensagens são essenciais para que as famílias acompanhem a situação de seus entes queridos, mas também aumentam a angustiante expectativa sobre o futuro.
