Luta do Magistério em Curitiba
O Conselho de Representantes do SISMMAC se reuniu nesta terça-feira, dia 24, com uma missão clara: organizar a luta do magistério neste início de ano letivo. A gestão do prefeito Pimentel vem adotando uma política de desvalorização da carreira docente, agravando a desorganização da rede e demonstrando falta de compromisso com as reivindicações dos educadores. Diante desse cenário, a necessidade de intensificar a mobilização se torna imprescindível.
Crescimento Vertical: Promessa Adiada
O procedimento de Crescimento Vertical, que deveria ser implementado em 2025, continua sendo tratado pela Prefeitura como uma questão secundária. Após manter a carreira dos educadores congelada por mais de uma década, a gestão municipal impõe critérios restritivos que barram o avanço profissional da maioria dos docentes. Editeis são publicados, mas sem um cronograma claro de implementação, deixando os professores sem previsibilidade quanto a pagamentos e progressões. Na prática, essa postura da gestão Pimentel penaliza aqueles que investiram em sua formação.
Além disso, neste ano, o procedimento de crescimento horizontal também deve ocorrer. Contudo, sem um compromisso real, a Prefeitura pode repetir a lógica de atrasos e indefinições que tem marcado sua relação com a categoria. Portanto, é fundamental aumentar a pressão sobre a gestão, pois a falta de orçamento não é o problema, mas sim uma escolha política.
Descongela: Oportunidade Perdida
O programa Descongela, aprovado pelo governo Lula, permite que o tempo perdido durante a gestão Bolsonaro, entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021, seja considerado para a contagem de direitos como anuênios e quinquênios. Várias administrações já definiram cronogramas para essa implementação, mas em Curitiba, a gestão Pimentel não apresenta ações concretas. Enquanto isso, professores continuam sem acesso a direitos que poderiam impactar suas aposentadorias.
Desorganização na Secretaria Municipal de Educação
O primeiro ano da gestão Pimentel na Secretaria Municipal de Educação foi marcado por instabilidade e decisões tomadas sem diálogo com a categoria. O afastamento da coordenação administrativa e mudanças curriculares sem respaldo normativo geraram confusão nas escolas e deterioração das relações de trabalho. A nomeação de Paulo Schmidt como novo secretário não sinaliza uma mudança de direção, já que remete a práticas de gestões anteriores que resultaram na redução do quadro de profissionais e no desmonte da carreira docente.
Militarização e seus Impactos
O Conselho também discutiu o projeto de militarização das escolas municipais, que tem potencial para ameaçar a gestão democrática e a organização interna das instituições. Este projeto pode desviar recursos que deveriam ser destinados à valorização do magistério, destinando-os para financiar cargos militares, enquanto a educação carece de profissionais qualificados e investimento adequado. Além de não abordar as questões reais enfrentadas pelas escolas, essa iniciativa pode intimidar a organização coletiva da categoria, servindo como uma manobra para ganhar apoio eleitoral de setores mais radicalizados da sociedade.
Articulações e o Futuro da Educação Municipal
A pauta da reunião incluiu também questões como o caso CredCesta/Banco Master, onde a pressão do SISMMAC foi crucial para a suspensão de descontos em folha. As alterações no auxílio-transporte e a tentativa da gestão municipal de contornar a Conferência Municipal de Educação também foram discutidas, além da participação do SISMMAC no Congresso da CNTE, que fortalece a articulação nacional das lutas por melhores condições na educação.
No horizonte de 2026, delineia-se uma disputa entre dois projetos para a educação municipal: de um lado, a gestão que desvaloriza a carreira docente e improvisa nas práticas pedagógicas; do outro, o magistério lutando por reconhecimento, valorização e melhores condições de trabalho. A direção do SISMMAC planeja realizar visitas e panfletagens nas escolas para dialogar com professores e suas famílias. Uma Assembleia será convocada em março para que a categoria delibere sobre os próximos passos frente ao desinteresse da gestão Pimentel.
Mobilização e pressão organizada serão fundamentais para que haja avanços. A união do magistério e o envolvimento das famílias são essenciais para preparar a categoria para os desafios que virão, pois sem luta não haverá progresso. O futuro da educação pública em Curitiba depende da organização e da atuação do magistério.
