Mudança Significativa no Cenário de Mídia do Paraná
A manhã desta sexta-feira (30) trouxe uma grande novidade para o setor de comunicação no Paraná. A família Cunha Pereira anunciou a venda de sua participação nas emissoras de televisão e rádio do GRPCom, que inclui as oito afiliadas da Rede Globo no estado, bem como a rádio Mundo Livre e a 98 FM. A transação agora coloca esses veículos sob a propriedade da família Lemanski, que já era sócia do grupo desde 1962. Apesar da venda, os Cunha Pereira continuarão como sócios minoritários, enquanto o empresário Mariano Lemanski assume a presidência do novo conglomerado.
Essa negociação é considerada uma das mais importantes na comunicação paranaense nas últimas décadas. A RPC, o grupo formado pelas emissoras, abrange uma vasta área com filiais em Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Paranavaí. A rede foi originalmente criada por Francisco Cunha Pereira Filho e Edmundo Lemanski, que foram os responsáveis pela expansão da comunicação no estado ao longo dos anos.
Novos Rumos para a Família Cunha Pereira
Em sua declaração sobre a venda, Guilherme Cunha Pereira, que ocupava a posição de presidente do grupo até então, mencionou que a família planeja explorar novos horizontes de negócios. No entanto, ele não especificou quais áreas serão essas novas investidas. O que se sabe é que a família ainda mantém a propriedade de veículos importantes, como a Gazeta do Povo e a Tribuna do Paraná, que não foram incluídos na negociação com os Lemanski.
Um Legado de 50 Anos com a Globo
As emissoras que agora fazem parte da RPC têm o direito de retransmitir a programação da Globo há impressionantes 50 anos. Esse vínculo remonta a 1976, quando o ex-governador Paulo Pimentel assumiu a exibição dos programas da rede, até que um conflito com o então ministro da Educação, Ney Braga, culminou na mudança de contrato. Foi nesse cenário que as famílias Cunha Pereira e Lemanski, após adquirir a TV Paranaense, herdaram a transmissão da emissora.
Histórias entrelaçadas, as duas famílias colaboraram na expansão da rede de televisão e também adquiriram a Gazeta do Povo, uma transação que envolveu a compra do veículo de seu anterior proprietário, Plácido e Silva. No entanto, em 2016, Mariano Lemanski decidiu vender sua participação na Gazeta para os Cunha Pereira, em um momento em que o jornal enfrentava dificuldades financeiras e se inclinava cada vez mais para uma linha editorial de ultradireita.
Decisões Estratégicas na TV
No que diz respeito à televisão, a aquisição da parte da Globo pelas famílias ocorreu em um contexto em que a emissora, que até então detinha 50% das afiliadas locais, exigiu que as famílias comprassem ações adicionais ou vendessem suas participações a outros grupos. Temendo a entrada da RBS no mercado paranaense, a decisão foi clara: adquirir integralmente as emissoras.
Com essa nova configuração, o cenário da comunicação no Paraná passará por transformações significativas. A chegada de Mariano Lemanski à presidência pode indicar mudanças na linha editorial e nas estratégias de programação, refletindo as novas diretrizes e objetivos da administração. O futuro das afiliadas da Globo no Paraná ficará sob um olhar atento, à medida que a família Lemanski se adapta a esse novo papel no setor.
