A Mobilização do PT para 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou a militância do partido para uma verdadeira “guerra” eleitoral, destacando a necessidade de unidade interna em vista das eleições de 2026. Durante um evento em Salvador, que celebrou os 46 anos do PT, Lula afirmou que a vitória não dependerá apenas das realizações do governo, mas também de uma defesa incisiva das narrativas nas redes sociais e nas comunidades.
A fala de Lula serve como um chamado à ação, com um duplo objetivo: mobilizar a base para um pleito que ele considera um plebiscito da situação atual e direcionar a cúpula do partido a reduzir as divisões internas, promovendo uma mensagem coesa que dialogue com a realidade da população.
Unidade: Uma Necessidade Urgente
Em seu discurso, Lula identificou a fragmentação dentro do partido como um dos maiores inimigos da legenda. A meta de “briga zero” é um aviso claro direcionado às disputas locais, que, segundo ele, consomem energia e distraem o foco necessário para enfrentar a extrema direita, que opera com uma estratégia unificada.
A recente resolução do Diretório Nacional do PT, aprovada em 6 de outubro, reforça essa orientação, instando o partido a manter uma presença constante junto à população, fortalecer as bases e expandir sua atuação territorial. O plano busca não apenas consolidar a força do partido, mas também evitar a transformação do PT em um culto à personalidade de Lula.
Construindo Alianças Estratégicas
Lula também deixou claro que o PT não possui a força necessária em todos os estados e, para garantir a vitória, será preciso estabelecer compensações. Entretanto, ele fez um ponto importante: alianças devem ser vistas como uma tática inteligente, e não como uma capitulação aos princípios do partido.
O presidente reconhece que o Congresso apresenta desafios estruturais, dominado por interesses conservadores e alinhados às elites. Além disso, Lula criticou o uso de emendas impositivas e de práticas herdadas do Orçamento Secreto, que, segundo ele, servem como ferramentas de chantagem contra o Executivo.
O Desafio da Mercantilização da Política
O chefe do Executivo também abordou as questões financeiras que cercam as campanhas eleitorais, alertando sobre a mercantilização da política, onde “dinheiro rola para todos os lados”. Essa observação é tanto uma advertência moral quanto uma análise estratégica, dado que a extrema direita muitas vezes se posiciona como antissistema enquanto mantém uma infraestrutura local robusta.
A resolução do PT busca inverter essa dinâmica, promovendo uma identidade centrada na justiça fiscal, com propostas de tributar os bancos, as casas de apostas e os bilionários, ao mesmo tempo em que alivia a carga dos trabalhadores.
Pautas Concretas para o Cotidiano
A estratégia delineada pelo PT consiste em articular a luta contra os privilégios com questões do dia a dia da população. O texto aprovado destaca a necessidade de reduzir a jornada de trabalho, enfrentar a escala 6×1 e implementar a tarifa zero como parte de um esforço para garantir justiça social.
Essas políticas visam atrair o apoio de jovens, pessoas em situação de precariedade e comunidades periféricas, desenvolvendo uma narrativa que conecta tempo, transporte e renda disponível.
A Guerra Digital e a Defesa da Democracia
Quando Lula fala em “guerra” eleitoral, ele menciona um contexto que vai além das palavras. A resolução reconhece o domínio das big techs, a disseminação acelerada de desinformação e a manipulação algorítmica que ameaçam a integridade das eleições. O documento defende a necessidade de regulação democrática do ambiente digital e de um esforço nacional para combater fake news e o uso indevido de inteligência artificial.
Essa situação apresenta um dilema democrático: o combate às mentiras deve ser eficaz, mas sem dar margem a censura ou à legitimação da violência política. A proposta é que o combate à desinformação se dê por meio de regras claras, transparência e responsabilidade.
Economia e Desenvolvimento: Novos Rumos
A resolução do Diretório Nacional também posiciona a política monetária como um eixo central da disputa, propondo a redução dos juros e questionando a autonomia do Banco Central estabelecida durante o governo anterior. A ideia é revisar a meta de inflação para alinhar crescimento econômico, emprego e investimento público, associando a economia ao sentimento social.
Compreender que o custo elevado do dinheiro afeta o consumo e as políticas sociais é fundamental, e a campanha petista pretende transformar essa questão em um debate sobre o futuro do país, evitando jargões tecnocráticos que afastam a população.
Um Chamado à Ação e Coesão
Lula intensificou seu discurso para mobilizar o PT. A demanda por unidade não é uma questão de estética política, mas uma necessidade crítica para a sobrevivência do partido. Se as eleições de 2026 se revelarem uma batalha de narrativas, o campo democrático precisa de organização, presença nas comunidades e uma mensagem clara que não se deixe levar pela onda de ódio promovida pela extrema direita.
Para vencer, o PT deve falar de dignidade e ter a coragem de enfrentar privilégios, sempre fundamentado na democracia, na prova e na responsabilidade.
