Linha Tecnologia e a Celepar
A Linea Tecnologia em Comunicação Ltda, com sede em Curitiba, conquistou quatro licitações totalizando a expressiva quantia de R$ 146 milhões para fornecer serviços à Celepar, a Companhia Paranaense de Tecnologia da Informação. A empresa é de propriedade de Rodolfo de Souza Aires, que foi sócio de Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Jr (PSD), em uma outra iniciativa até o ano passado.
Gabriel Martinez Massa figura como um dos proprietários da TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda, localizada em São José dos Pinhais. O outro titular é Rodolfo de Souza Aires e a principal atividade da TLA é descrita como “Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática”.
Em comunicado, a Linea revelou que possui contratos com a Celepar no montante de R$ 6,8 milhões, tendo recebido até o momento cerca de R$ 2,8 milhões, o que foi confirmado pela própria companhia. A Linea também afirma que a sociedade entre Rodolfo de Souza Aires e Gabriel Martinez Massa foi desfeita no último ano, mas o portal do governo federal ainda indica o irmão do governador como integrante do quadro de sócios da empresa.
Detalhes das Licitações
O Portal da Transparência destaca quatro licitações realizadas pela Celepar e vencidas pela Linea Tecnologia, somando R$ 146.663.770. Os editais incluem:
- Edital 1176/2022: Homologado em R$ 8.050.000,00. A proposta envolve a contratação de uma empresa para gerenciamento de canal eletrônico e manutenção de equipamentos.
- Edital 1189/2023: Homologado em R$ 36.145.170,00, com o mesmo objeto do edital anterior, e contratos assinados totalizando R$ 3,2 milhões.
- Edital 112/2024: Com valor homologado de R$ 23.231.100,00, que também se refere ao gerenciamento e manutenção de canais eletrônicos.
- Edital 58/20025: Homologado por R$ 79.237.500,00. Este edital visa a prestação de serviços de TV Corporativa, mas ainda não houve assinatura de contratos.
Os contratos relacionados às quatro licitações totalizam R$ 6.322.296.
Polêmica Na Assembleia Legislativa
A oposição ao governo de Ratinho Jr na Assembleia Legislativa levantou questionamentos sobre o número reduzido de concorrentes nas licitações, a qual chamou a atenção para a sequência de eventos considerados incomuns. Cada edital venceu com apenas dois concorrentes. Além disso, a sociedade de Rodolfo de Souza Aires com Gabriel Massa foi formalizada em abril de 2023, enquanto a primeira licitação da Celepar foi conquistada em maio do mesmo ano.
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da oposição, declarou: “Quando uma empresa com ligações indiretas ao sócio do irmão do governador garante contratos milionários em disputas com pouca concorrência, é válido que o governo esclareça à sociedade”. Chiorato enfatizou a necessidade de maior transparência e responsabilidade, alegando que, apesar de não configurar crime, a situação é imoral considerando o uso de recursos públicos.
Histórico de Gabriel Martinez Massa
Gabriel Martinez Massa é reconhecido como presidente do Grupo Massa, vinculado ao apresentador Carlos Ratinho Massa, conhecido como Ratinho do SBT, pai do governador. Vale lembrar que em 2009, Gabriel e outro irmão do governador, Rafael Martinez Massa, foram condenados por falsidade ideológica, envolvidos em um esquema de fraude de carteiras de motorista em Maringá, no norte do estado.
Notas Oficiais da Linea e da Celepar
A Linea Tecnologia, em sua nota, destacou sua presença no mercado há 14 anos e mencionou que a Celepar representa cerca de 10% de seu faturamento. A empresa informou ter recebido R$ 2,8 milhões em contratos com a Celepar, enquanto investiu aproximadamente R$ 3 milhões. A Linea enfatizou que todos os seus contratos com o poder público são realizados por meio de concorrências e ressaltou que Gabriel Martinez Massa nunca foi sócio da empresa.
Por sua vez, a Celepar também se manifestou, afirmando que os contratos foram estabelecidos após processos de contratação que contaram com a participação de outras empresas, e que não houve contestações judiciais. A empresa reiterou que os contratos seguem a legislação vigente e são pagos somente quando os produtos são efetivamente contratados.
