Arte e resistência entre jovens indígenas do Paraná
Na comunidade Tekohá Ocoy, localizada em São Miguel do Iguaçu, Oeste do Paraná, jovens indígenas Avá-Guarani têm encontrado na arte uma forma poderosa de expressar sua cultura e afirmar suas raízes. Através de oficinas que abrangem fotografia, cerâmica e pintura, crianças e adolescentes desenvolvem obras que dialogam com grafismos tradicionais, memórias ancestrais e elementos simbólicos da comunidade.
Exposição e leilão para apoiar a educação indígena
As criações desses estudantes serão exibidas em uma exposição em Foz do Iguaçu, onde também acontecerá um leilão. A totalidade dos recursos arrecadados será destinada ao Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, instituição que atende cerca de 400 alunos, desde o Ensino Fundamental até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para o professor indígena Gilmar Chamorro, envolvido no projeto, a arte é uma ferramenta que carrega histórias e representa a identidade do povo Avá-Guarani.
Projeto “Tembiapo Mandu’a Porã Ndive”: memória e criação
Intitulado “Tembiapo Mandu’a Porã Ndive” — expressão guarani que significa “criar a partir de boas memórias” — o projeto nasceu da colaboração entre a organização Cidades Invisíveis, o Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel, e o Projeto Onças do Iguaçu. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a identidade cultural dos jovens, possibilitando que ocupem espaços artísticos e mostrem a vitalidade das tradições Avá-Guarani para as novas gerações.
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Fonte: atividadenews.com.br
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Fonte: omanauense.com.br
Fortalecendo o potencial artístico dos jovens
De acordo com Gilmar Chamorro, muitos jovens já demonstravam interesse pela arte, mas encontravam poucas oportunidades para explorar esse talento. “Os jovens gostam de desenhar, fazer arte e mostrar a cultura, mas o que falta é oportunidade. Esses projetos ajudam eles a perceber que têm espaço e algo a oferecer”, ressalta. Ao longo de 2026, os participantes têm acesso a oficinas variadas, que incluem fotografia, desenho, muralismo, grafite, cerâmica e pintura em tela, conduzidas por artistas convidados e lideranças indígenas.
Quebrando estereótipos e ampliando o reconhecimento cultural
Além de fomentar a criação artística, o projeto atua na desconstrução de preconceitos. “Muitas pessoas ainda se surpreendem ao descobrir que somos professores, pesquisadores ou artistas. Ocupar esses espaços é uma forma de quebrar esse olhar preconceituoso”, comenta Gilmar Chamorro. O cacique e professor Luiz Mbarak reforça que a iniciativa também é um convite para a população não indígena se aproximar da cultura Avá-Guarani, conhecendo sua dança, canto e crenças.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Comunidade Tekohá Ocoy: preservação cultural e territorial
Situada próxima ao Parque Nacional do Iguaçu, a comunidade Tekohá Ocoy reúne cerca de 900 moradores e é referência na preservação da cultura Avá-Guarani no Oeste do Paraná. O projeto artístico reforça essa missão, promovendo não apenas a arte, mas também o fortalecimento da identidade e da circulação cultural entre os jovens indígenas.
