Transformação do Agronegócio com IA
A Inteligência Artificial (IA) está revolucionando o agronegócio brasileiro, proporcionando um aumento significativo na receita por meio da modernização das operações e gestão de negócios. Tecnologias baseadas em IA visam a automação de processos e o incremento da produtividade, resultando em ganhos financeiros que já estão sendo comprovados por empresas do setor.
De acordo com a 29ª Global CEO Survey, realizada pela PwC, 33% das empresas do agronegócio atribuem a elevação na receita ao uso de Inteligência Artificial. A pesquisa ainda revela que 60% dos CEOs do setor preveem uma redução na necessidade de profissionais em início de carreira nos próximos três anos, o que acende um alerta sobre a mudança nas dinâmicas de trabalho.
IA e a Automação de Processos no Campo
À medida que a Inteligência Artificial continua a consolidar investimentos em áreas como controle de pragas, irrigação, qualidade do solo e pulverização, a dependência do trabalho manual diminui, impactando diretamente o mercado de trabalho. Mesmo com os altos custos iniciais, a modernização das práticas agrícolas se mantém como uma prioridade para muitos empresários.
O levantamento da PwC também aponta que apenas 8% dos líderes do setor mencionam a retirada de apoio ou investimento em IA, um índice que indica uma preocupação menor em relação a essa tecnologia em comparação a outros segmentos.
As ferramentas de IA não se restringem apenas ao cultivo, mas também abrangem a administração de recursos e o planejamento de safras. Desde o zoneamento climático até a redução de desperdícios na irrigação, novas tecnologias estão sendo adotadas em diversas frentes agrícolas.
Tendências Emergentes na Gestão Agrícola
Guilherme Bastos, coordenador da FGV Agro, destaca três eixos principais nos avanços da IA no agronegócio: operacional, gerencial e estratégico. “No nível gerencial, observamos o controle de custos, gestão de estoque e planejamento de safras, enquanto no nível estratégico, estão a previsão de preços e a rastreabilidade de produtos”, explica.
A agricultura de precisão, impulsionada pela análise de dados coletados através de sensores, drones e satélites, permite uma identificação mais eficiente da qualidade do solo e da presença de pragas. Esse processo não só se torna menos custoso, como também pode se traduzir em maior lucratividade.
“A crescente demanda global por alimentos exige um cuidado ambiental rigoroso. Iniciativas como o zoneamento climático, mediadas por IA, utilizam a geolocalização para prever cenários e desenvolver estratégias que mitiguem riscos”, complementa Bastos.
IA na Pecuária: Uma Revolução Necessária
No setor pecuário, a Inteligência Artificial se mostra uma aliada no monitoramento da saúde animal e no controle nutricional e reprodutivo. Sensores e algoritmos são utilizados para detectar doenças e alterações no comportamento e na alimentação, priorizando a produtividade e o bem-estar dos rebanhos.
É importante ressaltar que a adoção de tecnologias não representa a eliminação de empregos, mas sim uma reconfiguração das funções profissionais. Bastos enfatiza que, apesar da automação, ainda existe a necessidade de profissionais qualificados para avaliar e monitorar os resultados gerados pelas máquinas. “Confiar cegamente na tecnologia ainda não é uma opção viável para garantir resultados consistentes”, observa.
Desafios na Implementação da IA
Apesar dos avanços promissores, a implementação da IA na agropecuária enfrenta desafios, como os altos custos iniciais, a falta de conectividade em áreas rurais e a necessidade de capacitação dos produtores. No entanto, à medida que a tecnologia se torna mais acessível, sua adoção tende a se expandir rapidamente.
A atual situação econômica no Brasil, marcada por altas taxas de juros, gera cautela em relação a novos investimentos. Contudo, especialistas acreditam que eventuais cortes nas taxas e a recuperação econômica facilitarão o acesso a novas tecnologias, promovendo uma gestão baseada em dados e informações.
“Quando o produtor passa a tomar decisões fundamentadas em dados do próprio campo, a sustentabilidade se transforma em eficiência operacional. O uso racional de água e insumos impacta diretamente nos custos, na produtividade e na preservação de recursos naturais”, explica Esteban Huerta, arquiteto de soluções na BlueShift Agro.
A metodologia Smart Upgrade, desenvolvida pela Mignow e baseada em IA, é responsável pela automação de 98% das correções de código em um projeto de reformulação tecnológica da Coopercitrus. Segundo a cooperativa, essa iniciativa gerou uma redução de mais de 90% no esforço manual.
“A Coopercitrus conseguiu realizar uma transformação de grande escala sem comprometer seu caixa e com ganhos imediatos em eficiência, impulsionados por incentivos financeiros. O novo ambiente reduz custos de manutenção, amplia a previsibilidade orçamentária e libera recursos para inovações no campo”, afirma Paulo Secco, CEO da Mignow.
A automação possibilitou que a migração tecnológica fosse completada em um tempo recorde, com uma redução de 40% nos custos e sem interrupções nas 190 unidades da cooperativa, com a transformação para o sistema RISE with SAP sendo finalizada em apenas quatro meses.
