Desafios da IA nas Finanças
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma mera promessa e agora se consolidou como uma prioridade estratégica nas finanças corporativas. Com benefícios evidentes em termos de eficiência e automação, a tecnologia avança rapidamente, mas também levanta um alerta importante: o crescimento descontrolado pode ter um custo elevado para as empresas.
Uma pesquisa realizada pela consultoria Gartner, divulgada em fevereiro de 2026, revelou que aproximadamente 60% dos CFOs planejam um aumento de pelo menos 10% nos investimentos em IA na área financeira. Esse movimento é impulsionado pela busca por maior produtividade, automação e eficiência nos processos corporativos.
O Desafio da Governança
Esse panorama foi o tema central do evento intitulado “Governança de Inteligência Artificial: riscos, decisões e valor para o negócio”, promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR), em Curitiba. O encontro reuniu executivos e especialistas em tecnologia e direito digital para discutir como a IA está transformando áreas como planejamento financeiro, compliance e tomada de decisão — e por que a governança se tornou uma peça central nesse processo.
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Durante o debate, Alexandre Gonçalves, um dos executivos participantes, alertou sobre os riscos envolvidos na adoção da IA: “O primeiro risco é não usar IA. O segundo maior risco é usar IA sem governança, o que pode gerar impactos severos, sejam financeiros ou reputacionais.”
A Tecnologia e sua Repercussão Global
A discussão foi além do âmbito corporativo. A dimensão geopolítica da Inteligência Artificial também foi destacada, com especialistas ressaltando que muitas tecnologias globais estão sob domínio de empresas dos Estados Unidos e da China. Essa realidade torna o tema ainda mais complexo, especialmente no que tange à soberania de dados, segurança e regulação. Além disso, o uso crescente da IA por governos e forças de segurança evidencia a importância estratégica dessa tecnologia.
IA e Estrategização: Uma Necessidade
Alexandre Del Rey, fundador da I2AI, enfatizou que a IA deve ser encarada como um vetor de ampliação de capacidades. Entretanto, ele destacou que a tecnologia sozinha não gera resultados: “A IA vem para expandir a capacidade das empresas, mas quem realmente assegura essa ampliação é a governança.” Segundo ele, a adoção da IA precisa estar alinhada à estratégia corporativa e sob supervisão da alta liderança, incluindo CFOs, CEOs e conselhos.
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Do Básico à Maturidade
O evento também abordou os diferentes níveis de maturidade na adoção da IA nas empresas. O processo inicia-se com decisões básicas, como a escolha das ferramentas adequadas e a evitação de soluções gratuitas e sem controle, progredindo para modelos mais estruturados. Nesses estágios avançados, a capacitação das equipes, a transparência com os clientes sobre o uso da tecnologia e a integração da governança aos processos corporativos são fundamentais.
Conhecimento Como Vantagem Competitiva
Outro aspecto discutido foi a importância de disseminar o conhecimento sobre Inteligência Artificial dentro das organizações. A compreensão da tecnologia em diferentes áreas é considerada essencial para aumentar a eficiência e o retorno sobre o investimento. Eneile Guimarães, que mediou um dos painéis, afirmou que o papel da IA nas empresas evoluiu: “Ela não é mais apenas uma ferramenta, já se tornou uma infraestrutura estratégica.”
A Decisão Humana é Irreversível
Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas reiteraram que a responsabilidade humana não pode ser substituída. Rafael Reis, presidente do Instituto Nacional de Proteção de Dados (INPD), fez uma distinção vital: “O uso de IA por colaboradores é algo; incorporar a IA na estratégia organizacional é completamente diferente.” Ele reforçou que decisões críticas que envolvem responsabilidade não devem ser transferidas para a IA, ressaltando a importância do julgamento humano, mesmo quando baseado em análises e dados fornecidos pela tecnologia.
Governança: A Base do Futuro
Zeli Rosa Conte da Nova, coordenadora do Comitê de Inovação do IBEF-PR, concluiu que o aprendizado principal do encontro é claro: inovação sem uma estrutura adequada não se sustenta. “A Inteligência Artificial já impacta as decisões empresariais. O desafio para os líderes é garantir que essa inovação esteja acompanhada de governança, transparência e gestão de riscos, especialmente em relação à qualidade de dados, segurança da informação e compliance regulatório.”
A conclusão do evento reforça uma mudança significativa no ambiente corporativo: mais do que uma tendência, a Inteligência Artificial já desempenha um papel central na estratégia das organizações, exigindo preparo, visão integrada e responsabilidade em sua adoção. O evento foi patrocinado por empresas como Gaia Silva Gaede Advogados, TOTVS e Sancor Seguros, contando com a Gazeta do Povo como parceira de mídia.
