Um Espetáculo Impactante
A produção teatral “Humanismo Selvagem”, uma tragicomédia aclamada por críticos e espectadores, está de volta em uma temporada especial entre os dias 20 e 22 de fevereiro, no Auditório Salvador de Ferrante, o Guairinha, em Curitiba. Sob a direção de Dimis e produzida pela companhia Bife Seco, a peça discute a complexidade da herança familiar e as feridas históricas que marcam o Brasil.
“Humanismo Selvagem” traz à luz a história de uma família decadente que, por gerações, construiu sua fortuna a partir de um legado de exploração. A narrativa gira em torno de um questionamento crucial: como uma família rica lida com a revelação de seu passado criminoso?
Uma Comédia Caótica que Reflete a Realidade Brasileira
Com uma mistura de humor ácido e uma intensa crítica social, a trama se desenrola durante a celebração dos 100 anos do patriarca da família. A chegada inesperada de uma antiga empregada traz à superfície traumas, segredos e violências que estavam cuidadosamente ocultos sob uma fachada de harmonia familiar.
O espetáculo transforma o lar em um verdadeiro campo de batalha, onde herança, racismo estrutural e poder colidem de maneira contundente. O resultado é uma obra desafiadora, que provoca o público contemporâneo ao expor as contradições profundas da sociedade brasileira.
Reconhecimento e Evolução Dramaturgica
O texto de “Humanismo Selvagem” foi laureado com o Prêmio Outras Palavras 2020, concedido pelo Governo do Estado. Este reconhecimento levou à publicação da peça em formato de livro, que será lançado nacionalmente durante a programação da Festa Literária Internacional de Paraty em 2025, como parte da Coleção Outras Palavras.
O desenvolvimento da obra é fruto de um processo criativo iniciado em 2013, que passou por diversas versões ao longo de uma década. Essa evolução acompanhou as transformações nas discussões sobre as estruturas de poder, racismo e violência presentes na sociedade brasileira.
Influências e Referências
Assim como em projetos anteriores da Bife Seco, o cinema desempenhou um papel central na concepção de “Humanismo Selvagem”. A dramaturgia dialoga com elementos do terror psicológico e com a criação de famílias disfuncionais, características frequentemente vistas em produções do estúdio A24. A peça utiliza esses códigos narrativos para abordar questões profundamente brasileiras, como o legado criminoso que permeia a construção de muitas fortunas.
De acordo com Dimis, o autor e diretor, o tempo foi um fator crucial neste processo. “As várias versões do texto refletiram a evolução das discussões sobre racismo no Brasil. Agora, a peça chega à sua versão mais madura. É um terror psicológico que se transforma em uma comédia caótica, expondo o pior da natureza humana. O público certamente encontrará elementos com os quais se identificará, embora nem sempre de forma confortável”, explica.
Participação de Luiz Bertazzo
Nesta nova temporada, “Humanismo Selvagem” conta com a participação especial do ator Luiz Bertazzo. Ele integra o elenco do filme “Ainda Estou Aqui”, que foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Internacional. Bertazzo, que começou sua carreira em Curitiba antes de alcançar reconhecimento nacional, retorna à companhia Bife Seco em um reencontro artístico que reflete a continuidade de sua trajetória em diálogo com a produção teatral autoral da capital paranaense.
Informações sobre o Espetáculo
As apresentações de “Humanismo Selvagem” ocorrerão de 20 a 22 de fevereiro de 2026, com exibições às 20h na sexta e no sábado, e às 19h no domingo. O espetáculo tem classificação etária de 16 anos e uma duração de 2 horas.
O Auditório Salvador de Ferrante, localizado na Rua XV de Novembro, 971, no Centro de Curitiba, será o palco desta experiência teatral que promete mover e provocar reflexões profundas nos espectadores.
