Reconhecimento Judicial em Meio à Crise
A Justiça de Mato Grosso acatou o pedido de recuperação judicial do Grupo Forte Agro, com sede em Rondonópolis, que enfrenta um passivo estimado em R$ 260 milhões. A decisão foi tomada em um contexto de elevada inadimplência no agronegócio, que afeta tanto produtores rurais quanto empresas que dependem do setor. Esse cenário, caracterizado pela restrição de crédito, altas taxas de juros e custos de produção elevados, resultou no represamento de quase R$ 50 milhões, complicando o fluxo de caixa do grupo.
O fenômeno da inadimplência no agronegócio, muitas vezes denominado “efeito dominó”, demonstra como a falta de pagamento de um produtor pode impactar fortemente o funcionamento de revendas, fornecedores e prestadores de serviços. O número crescente de casos de recuperação judicial desde 2024 reflete o agravamento dessa crise interligada.
Fatores Contribuintes para a Inadimplência
A recuperação judicial foi deferida no final de dezembro pela 4ª Vara Cível de Rondonópolis, sob a supervisão do juiz Renan Pereira do Nascimento. Em sua decisão, o magistrado destacou que as dificuldades enfrentadas pelo grupo são resultado de fatores externos, principalmente a inadimplência de clientes do setor agropecuário, muitos dos quais também estão em processo de recuperação. Isso revela um ciclo vicioso em que a crise no campo se propaga, afetando diretamente os serviços de fornecimento e comercialização.
O Grupo Forte Agro inclui em sua recuperação judicial empresas como Forte Agro Ltda. e Pró Campo Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda., além de produtores rurais como Luciano Aldacyr Perozzo e Rodrigo Nogueira Lima. A interconexão entre essas entidades é um aspecto crucial, pois suas operações em conjunto abrangem várias áreas do agronegócio, incluindo comércio de máquinas, venda de insumos, produção de grãos e pecuária.
Impacto Direto da Inadimplência no Fluxo de Caixa
Um dos pontos mais críticos do processo é o impacto financeiro resultante da inadimplência. O Grupo Forte Agro registrou créditos não recebidos que se aproximam de R$ 50 milhões, relacionados a clientes que estão enfrentando dificuldades financeiras, o que prejudicou de forma significativa a saúde financeira da empresa. O juiz ressalta que a inadimplência dos clientes gerou um represamento de valores e, consequentemente, um desequilíbrio no fluxo de caixa.
Esse mecanismo cria uma situação complicada: a empresa continua operando e entregando produtos, mas não recebe os pagamentos necessários para honrar suas obrigações financeiras com fornecedores e colaboradores.
O Ambiente Desfavorável do Agronegócio
Além dos problemas de inadimplência, o juiz apontou que o cenário econômico mais amplo também intensificou a crise. Entre os fatores destacados estão a restrição de crédito rural, o aumento das taxas de juros e os elevados custos de produção. A instabilidade do mercado agropecuário se mostrou ainda mais desafiadora no contexto atual. Contudo, a decisão do juiz deixou claro que não há indícios de inviabilidade operacional da empresa, mas sim uma crise financeira que demanda reestruturação.
Confirmação da Viabilidade do Grupo
Uma parte importante para a aprovação da recuperação judicial foi a conclusão de um laudo pericial que atestou a regularidade das atividades do Grupo Forte Agro e dos envolvidos. O perito judicial realizou uma análise detalhada e confirmou a viabilidade econômica do grupo, evidenciando que, embora tenha enfrentado dificuldades, as operações estão em andamento.
Consolidação Substancial e Suspensão de Ações
A Justiça determinou a consolidação substancial dos devedores, considerando a interdependência entre eles e a necessidade de um tratamento igualitário para todos os credores. Assim, foram suspendidas as ações e execuções contra os recuperandos por um período de 180 dias, o que proporciona um alívio temporário para reestruturação das dívidas.
Próximos Passos para o Grupo Forte Agro
Com a recuperação judicial deferida, o Grupo Forte Agro agora tem um prazo de 60 dias para elaborar um plano de recuperação, que deverá ser submetido à aprovação dos credores e do Judiciário. Esse plano será essencial para definir as condições de renegociação das dívidas, incluindo prazos de pagamento e possíveis reduções. O sucesso dessa proposta dependerá da aceitação por parte dos credores e poderá determinar se a empresa conseguirá superar a crise atual.
