Uma Trajetória de Criação e Renovações
O balé “Piracema”, estreado em 2025, ilustra a busca do Grupo Corpo por inovação e resistência. A obra, que será apresentada nos dias 11 e 12 de abril na Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba no Guairão, utiliza a jornada de um peixe subindo a correnteza como metáfora. Este evento não é apenas uma celebração do aniversário da companhia, mas também um tributo à força e à urgência de criar e recomeçar, características que permeiam a trajetória do grupo. A dança, com sua brasilidade inegável, se destaca na linguagem universal da arte.
A venda de ingressos para o 34º Festival de Curitiba está disponível através do site oficial e na bilheteria do Shopping Mueller, localizada no Centro Cívico. A nova trilha sonora do espetáculo foi composta por Clarice Assad e marca a colaboração entre os coreógrafos Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, que assumiu o papel de coreógrafa residente.
Criatividade Dividida em Duas Versões
Com uma proposta inovadora, “Piracema” foi criada com a companhia dividida em dois elencos de 11 bailarinos. Cada coreógrafo trabalhou de forma independente, ensaiando suas versões antes de se reunirem para combinar os resultados. Rodrigo Pederneiras, um dos diretores artísticos, descreveu a experiência como riquíssima, ressaltando como as visões de ambos se complementam. “Cassi é uma bailarina excepcional, com uma bagagem internacional, e sua abordagem traz novos elementos à nossa criação”, afirmou.
O processo criativo envolveu limitações rigorosas, onde os coreógrafos não podiam se cruzar nos ensaios, algo que trouxe certo nervosismo, mas que foi prontamente aceito. Somente dois meses antes da estreia é que tiveram a oportunidade de observar o trabalho um do outro e unir suas concepções. “Foi um momento de muita emoção, alegria e choro”, relembra Paulo Pederneiras. O resultado final é descrito como uma “terceira via” que combina as características distintas de ambos, com Rodrigo apresentando um estilo mais intimista em contrapartida à explosão de Cassi.
Uma Trilha Sonora Revolucionária
Clarice Assad, a primeira mulher a compor uma trilha para o Grupo Corpo, encarou o desafio como uma verdadeira maratona. “Foi uma honra fazer a música para uma companhia tão renomada”, disse a artista, que atualmente reside em Chicago. Sua composição traz a colaboração do percussionista Keita Ogawa e até inclui a participação de seu pai, o célebre violonista e compositor Sérgio Assad. A obra musical é uma fusão de estilos, começando no tribal e passando pela sinfônica, até chegar a sonoridades eletrônicas mais contemporâneas.
Inovação Cenográfica e Figurinos
O diretor artístico Paulo Pederneiras se destacou ao usar uma materialidade inusitada na cenografia, recobrindo o fundo do palco com um total de 82 mil tampas de latas de sardinha, uma alusão aos cardumes da piracema. A criação dos figurinos ficou sob responsabilidade dos designers Alva, que criaram suas primeiras peças para a dança, trazendo um frescor à apresentação.
A Reapresentação de Parabelo
Juntamente com “Piracema”, o Grupo Corpo apresentará a peça “Parabelo”, originalmente de 1997, que também é uma expressão da rica cultura brasileira. Com música de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik, essa obra incorpora elementos da tradição sertaneja, apresentando coreografias envolventes e visuais impactantes.
A Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba é patrocinada por empresas como Petrobras e Sanepar e conta com o apoio do Governo do Estado do Paraná. Os interessados podem acompanhar todas as atualizações e novidades pelo site oficial do festival e suas redes sociais.
Serviço
Espetáculos: “Piracema” e “Parabelo”
Datas: 11 e 12 de abril de 2026 (sábado e domingo)
Horários: Sábado (11), às 20h30; Domingo (12), às 19h
Local: Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão), Curitiba/PR
Classificação: Livre
Duração: 100 minutos
Ingressos: R$ 85,00 (inteira) | R$ 42,50 (meia-entrada)
Venda disponível pelo site do festival e na bilheteira do Shopping Mueller.
