Aulas Retornam Após Acordo
A greve dos profissionais da rede municipal de educação de Curitiba foi suspensa na noite de quarta-feira (8), após um acordo com a prefeitura. A decisão, que ocorreu durante uma assembleia do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), marca o fim de uma paralisação que começou na manhã do mesmo dia. Embora algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) tenham interrompido suas atividades, o secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que aproximadamente 95% das unidades mantiveram o atendimento aos alunos.
As lideranças sindicais informaram que a suspensão da greve foi deliberada após uma reunião com a prefeitura realizada durante a tarde. Juliana Mildemberg, coordenadora-geral do SISMUC, ressaltou que a paralisação pode ser retomada caso não sejam implementadas as medidas acordadas. ‘A categoria decidiu suspender a greve, mas não encerrá-la’, explicou Mildemberg, destacando que os profissionais retornarão à mobilização se a prefeitura não cumprir os compromissos assumidos na mesa de negociação.
Reivindicações da Categoria
O movimento grevista foi motivado por uma série de reivindicações. Entre os principais pontos estão: a falta de profissionais nas escolas, resultando em sobrecarga e adoecimento dos professores; a ausência de apoio para inclusão, com turmas superlotadas e falta de profissionais especializados; problemas estruturais nas escolas, como obras inacabadas; falhas na instalação de ar-condicionado; e a desvalorização profissional, com a ausência de reconhecimento para docentes com especializações e pós-graduações.
Pela manhã, os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da cidade, e realizaram uma caminhada em direção à prefeitura. A situação se agrava, já que os educadores estavam em estado de greve desde novembro de 2025.
A Decisão Judicial
A paralisação enfrentou também questões legais. O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou a greve ilegal. Em uma liminar inicial, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira classificou a mobilização como ‘abusiva’ e estipulou uma multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, caso a greve fosse iniciada. A decisão indicou que as negociações não haviam sido esgotadas e que não havia garantias de um percentual mínimo de servidores em atividade.
Além disso, uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não pudesse iniciar a greve nem impedir o acesso de servidores e usuários às unidades de ensino, sob pena de multa diária de R$ 20 mil.
Posicionamento da Prefeitura
Em resposta à situação, a Prefeitura de Curitiba divulgou uma nota reiterando que as escolas e CMEIs devem operar normalmente. A administração municipal afirmou que continua aberta ao diálogo com os sindicatos e destacou a recente contratação de cerca de 1,2 mil novos profissionais para a rede. Além disso, informou que houve avanços na carreira dos servidores, incluindo progressões e atualizações salariais nos últimos anos.
A prefeitura enfatizou: ‘Na prática, isso significa muito mais vagas já neste processo de crescimento, ampliando de forma concreta as oportunidades para quem se inscreveu. Além disso, estamos sinalizando aumentos nos percentuais de crescimento na carreira e melhorias no vale-alimentação’.
Com o retorno das aulas nesta quinta-feira, espera-se que a comunidade escolar consiga estabelecer um ambiente mais estável e produtivo, após um período de incertezas e tensões entre os profissionais da educação e a gestão municipal.
