Greve do Magistério em Curitiba é Ameaçada por Impasse Político
O clima entre a Prefeitura de Curitiba e o magistério municipal está mais tenso do que nunca. O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) se aproxima da data marcada para uma greve do magistério, que está prevista para quarta-feira (8). O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) afirma que, das 20 promessas feitas pelo prefeito durante a campanha, apenas uma foi cumprida. Apesar de a Prefeitura garantir que está aberta ao diálogo, questões centrais sobre a valorização da carreira dos professores ainda não foram resolvidas.
As reuniões realizadas nos dias 31 de outubro e 2 de novembro acirraram ainda mais a tensão. Segundo o SISMMAC, a gestão municipal não apresentou um prazo definido e não houve avanços significativos nas questões consideradas urgentes pela categoria. Do lado do Executivo, a única resposta concreta foi a intenção de ampliar o crescimento vertical na próxima avaliação, que ocorrerá em 2027, enquanto o edital atual de 2025 oferece 2.308 vagas para aproximadamente 6 mil candidatos.
A divergência entre as partes gira em torno do cumprimento das promessas. O SISMMAC tem enfatizado que o prefeito comprometeu-se com 20 pontos em suas promessas, mas, até o dia 3 de novembro, o único avanço reconhecido foi o chamado “Descongela”, que restabelece a contagem do tempo de serviço interrompida durante a pandemia. Para o sindicato, os demais compromissos ainda estão sem solução.
Entre as principais demandas da categoria, destacam-se a superlotação das salas de aula, a escassez de profissionais nas escolas, a exclusão de muitos professores do crescimento vertical, a ausência de auxílio-alimentação e a falta de estrutura adequada para a inclusão. Além disso, o desconto previdenciário de 14% aplicado sobre aposentadorias e pensões acima de dois salários mínimos tem gerado bastante insatisfação.
A situação dos aposentados, em particular, se tornou um foco de pressão. Entidades representativas protocolaram na Prefeitura um abaixo-assinado com mais de 10 mil assinaturas, contestando o desconto de 14%, que os sindicatos qualificam como um confisco e uma promessa de campanha não cumprida.
A Prefeitura, por sua vez, enfatiza que busca conduzir a crise por meio do diálogo. Em uma nota divulgada em seu site oficial, a administração afirma que seguirá com a mesa de negociação, realizará convocações no banco de aprovados em concursos e no processo seletivo simplificado, além de preparar um novo concurso para 15 carreiras. Também foi mencionado que o descongelamento terá um custo anual de R$ 24 milhões e beneficiará 22.647 servidores.
Politicamente, a situação continua indefinida. Embora a gestão tenha implementado o descongelamento, ainda falta uma solução abrangente para a carreira dos professores. O sindicato cobra que a situação seja resolvida até 2026; a Prefeitura, por outro lado, projeta essa resposta para 2027. Em um ambiente onde muitos trabalhadores relatam sobrecarga e evasão, a falta de consenso explica como a greve deixou de ser uma possibilidade e se tornou uma certeza.
Se a situação não mudar até quarta-feira (8), Eduardo Pimentel poderá inaugurar sua gestão na educação enfrentando um desgaste significativo com o magistério. Para o sindicato, o prefeito apresentou apenas uma medida concreta e deixou várias questões pendentes nas negociações.
