Gastos Extravagantes Durante o Foragido
Celso Fruet, um empresário de 72 anos, foi condenado na última sexta-feira (10) por crimes de estelionato, após aplicar um golpe de R$ 20 milhões contra agricultores no Paraná. Enquanto estava foragido, Fruet manteve um padrão de vida elevado, com gastos significativos em clínicas de estética, tecnologia e lazer, de acordo com informações do Ministério Público do Paraná (MPPR).
A promotora Ana Carolina Lacerda Schneider destacou: “Os extratos bancários revelaram que, enquanto as vítimas enfrentavam severos prejuízos econômicos, ele continuava a desfrutar de uma vida luxuosa, incompatível com alguém que afirmava querer pagar seus credores”. O empresário foi preso em novembro de 2025, após ser localizado pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, após um período de aproximadamente quatro meses foragido. Ele foi condenado a mais de 16 anos de prisão por 126 crimes de estelionato, além de ser obrigado a ressarcir as vítimas em R$ 23,8 milhões, segundo informações do MPPR.
Golpe em Agricultores
Celso Fruet era proprietário de uma cerealista em Campo Bonito e, ao longo de sua atuação, recebeu e armazenou a produção de soja, milho e trigo de mais de 100 agricultores, mas não fez o repasse dos valores após a venda dos grãos. O MPPR aponta que, mesmo após vender a empresa para uma cooperativa em junho do ano passado, Fruet continuou negociando com os produtores, sem informá-los sobre a transação. Ele seguia recebendo a produção, mas não realizava os pagamentos, aumentando ainda mais o rombo financeiro na vida dos agricultores.
Segundo informações da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, a defesa de Fruet alega que há um equívoco na sentença e considera a pena desproporcional. O advogado declarou que irá recorrer da decisão.
Como Operava o Golpe
A cerealista de Fruet operava na região por cerca de 30 anos, atraindo agricultores ao oferecer preços acima do mercado. “Se a saca custava R$ 100, ele pagava R$ 104 ou R$ 105”, explicou Raiza Bedim, delegada responsável pela investigação. A situação se agravou em julho de 2025, quando Fruet desapareceu após esvaziar os silos da empresa. No dia em que os agricultores chegaram para verificar, encontraram o local completamente vazio, sem grãos, computadores ou funcionários.
A polícia informa que Fruet já havia sido investigado anteriormente por estelionato em Capanema e Virmond, utilizando o mesmo modo de operação. A situação gerou desespero entre as vítimas, que viram suas economias, muitas vezes destinadas ao sustento familiar, se esvaírem.
Depoimentos de Vítimas
Entre os lesados está a família de Marilete Pagani, que tinha 320 sacas de soja armazenadas na cerealista, o que representa cerca de R$ 38 mil. Esse valor era destinado ao tratamento de saúde de seu pai, que sofre de Alzheimer e Parkinson. Marilete desabafa: “Ficamos em desespero. A gente confiava, contava com aquilo ali. De repente, você perde tudo o que tinha. É uma revolta bem grande”. A ostentação de Fruet nas redes sociais durante esse período contrastava com o sofrimento das vítimas, que agora lutam para recuperar suas perdas.
O desfecho desse caso ressalta a necessidade de maior fiscalização nas relações comerciais e a proteção aos agricultores, que em sua maioria são vulneráveis a fraudes desse tipo.
