Esquema de Fraude na Filia Eventos
Uma investigação detalhada realizada pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR) expôs um esquema de fraude operado pela empresa Filia Eventos, situada em Maringá. O caso, que impactou cerca de 500 vítimas, inclui no rol de prejudicados casais e formandos que foram enganados após a empresa cancelar contratos de eventos, como casamentos e festas de formatura, que nunca foram realizados.
A Delegacia de Estelionato de Maringá, responsável pela investigação, indiciou os sócios Julio Cesar Bosi, Luana Cristina da Luz Barbosa e Simone da Luz Barbosa por estelionato e associação criminosa. O inquérito, que teve início em agosto de 2024, resultou em mais de 450 boletins de ocorrência registrados contra a Filia Eventos, revelando uma crise financeira que se arrastava desde agosto de 2023.
A Profundidade das Investigações
O delegado Fernando Garbelini liderou um processo investigativo abrangente, coletando depoimentos de aproximadamente 150 pessoas que relataram ter sido lesadas. Além disso, foram analisadas 104 contas bancárias de 21 instituições financeiras, informações cruciais para desvendar a magnitude da fraude e o fluxo financeiro da empresa.
De acordo com as apurações, a Filia Eventos atuava como um esquema de pirâmide por mais de um ano, enquanto seus sócios apresentavam suas ações como uma simples quebra de negócios. No entanto, as evidências revelaram uma situação financeira insustentável, com a empresa continuando a oferecer pacotes de eventos que não poderia cumprir, elevando ainda mais a crise com promoções de preços inviáveis.
Consequências Financeiras e a Situação dos Indiciados
Durante o período da investigação, as contas da Filia Eventos registraram quase R$ 23 milhões em movimentação. Embora parte desse valor tenha sido utilizada para cumprir algumas obrigações contratuais, uma quantia significativa beneficiou os sócios. Mesmo diante das graves acusações, a prisão preventiva dos indiciados não foi decretada, e eles permanecem sem mandado de captura enquanto o Ministério Público avalia o caso para decidir sobre possíveis denúncias formais.
Histórias das Vítimas e a Repercussão do Caso
Relatos de frustração e prejuízos surgiram ao longo da investigação. O casal Danila Lima e Guilherme Teodoro, por exemplo, ficou sabendo na véspera de seu casamento que a celebração não ocorreria. Contando com a ajuda de amigos e familiares, conseguiram organizar uma nova festa em tempo recorde. Outro grupo de estudantes universitários enfrentou um golpe financeiro considerável, totalizando cerca de R$ 200 mil, que deveria ter sido destinado a uma festa de formatura que nunca aconteceu.
Informações circulando nas redes sociais indicam que a Filia Eventos teria abandonado Maringá após receber ameaças. Imagens de câmeras de segurança mostraram funcionários da empresa retirando móveis e documentos do escritório, dando um aspecto visual ao desfecho da situação.
A Resposta dos Fornecedores e Questões Legais
Os fornecedores da Filia Eventos também enfrentaram desafios devido a atrasos nos pagamentos e chegaram a emprestar máquinas de cartão à empresa. O delegado Garbelini destacou que não foram encontrados indícios de má-fé por parte desses fornecedores, que atuaram motivados pela necessidade urgente de receber o que lhes era devido, mesmo que parcialmente.
À medida que a sociedade aguarda a decisão do Ministério Público, o impacto da fraude continua a ressoar na comunidade, trazendo à tona as complexidades e consequências associadas a esquemas de fraude financeira.
