Estreias e Homenagens no Festival de Curitiba
A abertura do Festival de Curitiba aconteceu na Pedreira Paulo Leminski, na última segunda-feira (30). Durante o trajeto do hotel até o local, a animada companhia Carroça de Mamulengos, originária de Juazeiro do Norte (CE), divertiu-se no ônibus. “Fulano roubou pão na casa do João…”, brincavam entre risadas.
O grande anfitrião da noite foi Milton Cunha, que apresentou sua aula-show intitulado “Samba: as escolas e suas narrativas”, fazendo uma justa homenagem ao carnaval carioca. “Fiquei curioso para saber como o tradutor de libras traduziria ‘Bum bum paticumbum prugurundum'”, provocou Milton, referindo-se ao famoso enredo do Império Serrano nos desfiles de 1982. Por conta da recepção calorosa do público, ele repetiu a apresentação no dia seguinte.
Antônio Pitanga: Presença Ilustre no Festival
Entre as personalidades que prestigiavam o evento, o ator Antônio Pitanga, aos 86 anos, chegou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, na mesma segunda-feira, acompanhado da filha, a atriz Camila Pitanga, e do genro, o professor e crítico teatral Patrick Pessoa, um dos curadores do Festival de Curitiba. Durante o voo, Pitanga estava imerso na leitura do livro “As almas do povo negro”, escrito pelo renomado W.E.B. Du Bois.
Embora esteja aproveitando a variedade de atividades do festival, Pitanga também trouxe sua contribuição profissional. Na quinta-feira (2), ele participou de uma exibição especial do longa-metragem “Malês”, no Cine Passeio, localizado no centro de Curitiba. Neste filme, que ele dirige e protagoniza, é retratada a Revolta dos Malês, uma insurreição de africanos muçulmanos que ocorreu em Salvador, na Bahia, em janeiro de 1835, com a proposta de acabar com a escravidão. Após a sessão, houve um bate-papo enriquecedor com o diretor.
Teatro e Reflexão no Festival
O Grupo Galpão, de Belo Horizonte, abriu as atividades no Guairinha, teatro adjunto ao imponente Teatro Guaíra, apresentando a montagem “(Um) Ensaio sobre a cegueira”, com direção e dramaturgia de Rodrigo Portella, inspirada na obra de José Saramago. As sessões, realizadas na terça-feira (31) e na quarta (1), tiveram ingressos esgotados. Antes da estreia, um dos integrantes do elenco fez um apelo ao público: que desligassem os celulares que, segundo ele, “já nos escravizam no dia a dia”.
Em um relato feito pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o ator Eduardo Moscovis teve uma experiência inesperada. Durante seu monólogo “O motociclista no Globo da Morte”, realizado no sábado passado (28), em São Paulo, ele pediu que um espectador que estava distraído com o celular se retirasse da plateia. A peça, escrita por Leonardo Netto e dirigida por Rodrigo Portella, está entre as atrações que tiveram sessões esgotadas no Festival de Curitiba, com apresentações programadas para sábado e domingo (4 e 5), às 19h00 e 21h00.
Expectativa para o Monólogo de Walter Casagrande
Outro destaque esperado no festival é o monólogo “Na marca do pênalti”, de Walter Casagrande, que narra sua trajetória pessoal e profissional repleta de altos e baixos. O ex-jogador chegou ao hotel na manhã desta sexta-feira (3) e surpreendeu a todos com sua simpatia durante a coletiva de imprensa, emocionando-se ao lembrar de Sócrates: “Foi a primeira vez que disse ‘eu te amo’ a alguém, foi pra ele”. A peça, que não possui um roteiro definido, sendo improvisada, fará sua estreia nesta sexta, às 20h30, no Guaíra.
Mostra Lucia Camargo e Outras Atrações
Além dos 28 espetáculos que compõem a Mostra Lucia Camargo, que é o principal recorte da programação do Festival de Curitiba, uma variedade de outras peças será apresentada paralelamente no Fringe, a mostra alternativa focada em produções independentes. Uma das produções que promete atrair a atenção é “Analfabetos”, escrita por Paula Goja e inspirada na “densidade psicológica” de Ingmar Bergman. A peça contará com Guta Stresser, muito conhecida pela personagem Bebel, de “A Grande Família”, e acontecerá no dia 10 de abril, às 20h, no Teatro Paiol.
