Espetáculos com Temática Feminina no Festival de Curitiba
Por Dani Brito – Recentes reportagens têm destacado a crescente necessidade de abordar os abusos e a violência que as mulheres enfrentam no Brasil. De acordo com uma pesquisa da AtlasIntel, a violência contra a mulher e o feminicídio são tópicos que preocupam profundamente os brasileiros, superados apenas pela corrupção, criminalidade e economia. Em resposta a essa realidade alarmante, o teatro está se posicionando como uma plataforma poderosa para protestar contra essas questões.
Entre os dias 30 de março e 12 de abril, a capital paranaense sediará o 34º Festival de Curitiba, que traz uma programação repleta de espetáculos que exploram a luta e a resistência das mulheres. Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do festival ou na bilheteira do Shopping Mueller, localizado na Avenida Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico.
Na Mostra Lucia Camargo
A Bailarina Fantasma
A obra será apresentada nos dias 6 e 7 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques. Inspirada na famosa escultura “A Bailarina de 14 anos” de Edgar Degas e nos relatos autobiográficos da bailarina Verônica Santos, a peça-instalação explora um corpo que reflete violências físicas e simbólicas, além de tentativas de silenciamento. Com direção de Wagner Antônio e dramaturgia de Dione Carlos, o espetáculo promete imergir o público em um diálogo íntimo e visceral.
A peça foi indicada a prêmios de prestígio, incluindo o Prêmio Shell de Teatro e o Prêmio APCA.
Bailarinas Incendiadas
Nos dias 9 e 10 de abril, também no Teatro Cleon Jacques, cinco bailarinas contarão histórias sombrias do século 19, quando artistas eram queimadas por lâmpadas a gás. Este espetáculo, aclamado pela crítica e baseado em pesquisa documental de Ignacio Gonzáles, questiona a veracidade dessas narrativas e a forma como a história da dança é contada.
Mulher em Fuga
Apresentado no Guairinha nos dias 11 e 12 de abril, este drama foca em Monique, mãe de Édouard Louis, e os desafios que enfrentou, da violência conjugal à busca por liberdade. Protagonizado por Malu Galli, o espetáculo transforma uma história pessoal em um manifesto político sobre as lutas das mulheres da classe trabalhadora no Brasil.
Reparação
No SESC da Esquina, nos dias 31 de março e 01 de abril, a peça aborda um caso real de violência ocorrido nos anos 80 em São Paulo. A narrativa entrelaça depoimentos e ficção para traçar a trajetória de uma jovem que enfrenta as consequências de um trauma profundo e a luta por reparação.
Na Mostra Fringe
Chica da Silva – A Imperatriz das Minas (gratuito)
Nos dias 02, 03 e 04 de abril, o espetáculo traz a história de Francisca da Silva de Oliveira, uma mulher negra que superou a escravidão e se tornou uma figura poderosa no Brasil colonial. Com uma abordagem que revisita suas memórias, a peça reflete sobre opressão e resistência, conectando passado e presente.
Golpes no Ventre
Apresentado no dia 02 de abril, este drama explora o dilema de Bárbara, uma mulher negra que reflete sobre sua existência antes de nascer, durante o período gestacional. A peça é uma ousada exploração da maternidade e identidade.
Filipa
No dia 03 de abril, a narrativa reconta a vida de Filipa de Souza, uma mulher que desafiou a Inquisição no século 16 por seu amor por outras mulheres, trazendo à tona as consequências de sua coragem.
12 horas (gratuito)
Programada para o dia 04 de abril, a peça aborda as realidades que cercam um aborto, explorando silêncios sociais e violências através de histórias pessoais.
Isto Não é Uma Mulata
No mesmo dia, a peça reflexiva busca discutir a representação da mulher negra e os estereótipos que a cercam.
Consolo, Um Solo de Contação Fêmino-Circense
A multiartista Alice Cunha apresenta este solo autoral no dia 05 de abril, convidando o público a explorar a psique feminina de maneira única.
Soledad – Peça de Agitação (gratuito)
Nos dias 09 a 12 de abril, o espetáculo eleva “memórias clandestinas” de mulheres da América Latina, promovendo um debate sobre a luta e a utopia em tempos desafiadores.
O Festival de Curitiba, por meio das Mostras Lucia Camargo e Fringe, é realizado por importantes patrocinadores e busca levar vozes femininas ao centro das discussões culturais. Para mais informações sobre o festival, acesse o site oficial e acompanhe as redes sociais.
