Uma Exposição que Retrata a Essência do Festival de Curitiba
Desde o dia 26 de março, o Centro Cultural da PUC-PR abriga a mostra “Entreolhares: narrativas visuais do Festival de Curitiba”. Composta por mais de 80 fotografias, a exposição é uma coletânea do que foi capturado nas últimas quatro edições do mais importante festival de artes cênicas da América Latina. A entrada é gratuita, permitindo que todos tenham acesso a essa rica experiência cultural.
A curadoria é assinada por Annelize Tozetto, uma profissional com 16 anos de experiência na cobertura do Festival de Curitiba e que, desde o ano passado, coordena a equipe de fotógrafos do evento. A exposição na PUC-PR estará disponível até 26 de maio, com o apoio da Chamex. Este recorte temporal é especialmente significativo, pois coincide com o retorno do festival aos seus formatos tradicionais, após dois anos de suspensão devido à pandemia de Covid-19. Annelize reflete sobre esse momento: “Naquela época, quando o Festival foi cancelado, não tínhamos a noção de como a vida no planeta ficaria estacionada e de quantas pessoas morreriam.”
“Assim, essa exposição é um marco do nosso reencontro. É uma celebração da vida e da arte, que sempre se faz presente em nossos dias. O teatro, a cultura, se reinventaram de alguma forma durante aquele período de isolamento”, destaca a curadora.
O Conceito de Encontro na Fotografia
O conceito que guiou a seleção das obras foi o encontro. “Queríamos enfatizar a ideia do encontro em diversas dimensões: nos bastidores, nos camarins, entre o público e a peça, e entre o fotógrafo e o espetáculo”, explica Annelize. “É fundamental mostrar que o teatro não é uma prática solitária. O Festival é construído por muitos, assim como a fotografia no teatro, que envolve o trabalho de diversos profissionais, como artistas, iluminadores, cenógrafos, figurinistas e maquiadores.”
A seleção foi um processo meticuloso, considerando o vasto acervo disponível. Somente no ano passado, a equipe de fotógrafos do Festival de Curitiba, composta por dez profissionais, produziu mais de 16 mil imagens. Douglas Moreira, gerente da PUC-PR Cultura, comenta: “O Festival foi escolhido porque, além do seu acervo incrível, é um grande encontro de talentos de diversas partes.”
O processo de seleção foi cuidadoso, visando não incluir imagens que pudessem comprometer a classificação indicativa da mostra. “E eu revisei ano por ano, várias vezes”, brinca Annelize, ou simplesmente Anne, como é carinhosamente chamada. “Esta é uma exposição acessível a todos os públicos. É o resultado de um trabalho coletivo. E é importante lembrar que, na vida, não fazemos nada sozinhos.”
Momentos Capturados e Histórias Contadas
A exposição inclui uma das fotos mais marcantes de Annelize, tirada durante uma sessão do espetáculo “Ana Lívia”, escrito por Caetano Galindo, em 2024, no Teatro da Reitoria. A imagem icônica mostra as atrizes Bete Coelho e Georgette Fadel, abraçadas em cima de uma mesa, sendo surpreendidas por um grande bloco de água que desce do teto. A luz reflete nas gotas, criando um contraste impressionante com o escuro do cenário. Annelize relata: “Estava fotografando e a luz da cena mudou repentinamente. Uma das perguntas que mais me fazem é se assistimos às peças antes de fotografar. Na verdade, nem sempre temos essa oportunidade. Esta foto, por exemplo, foi capturada quase por acaso. Depois, nem cheguei a editar.”
Assim, “Entreolhares” se estabelece não apenas como uma exposição de fotografias, mas como um convite ao público para vivenciar a importância dos encontros, tanto no palco quanto na vida. Com essas narrativas visuais, o Festival de Curitiba e a PUC-PR reafirmam seu compromisso com a arte e a cultura, promovendo um espaço onde todos podem se conectar e celebrar a vida através da expressão artística.
