Recorde nas Exportações de Frango e Impacto Econômico no Paraná
O Brasil alcançou o maior volume histórico nas exportações de carne de frango no primeiro semestre de 2026, com quase 3 milhões de toneladas enviadas ao exterior. Esse número representa um aumento superior a 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram exportadas cerca de 2,6 milhões de toneladas. O crescimento beneficia diretamente a economia do paraná, especialmente a região Oeste, que é uma das principais produtoras nacionais.
Diferenciais da Carne Brasileira no Mercado Internacional
O presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, atribui o sucesso das exportações à qualidade da carne e ao rigor do controle sanitário brasileiro. “O frango brasileiro é bem aceito no exterior e exportado para mais de 120 países. Temos um controle sanitário eficiente e uma carne de alta qualidade, o que tem impulsionado as vendas”, explicou.
Em junho, os principais destinos da carne foram China, Japão e Emirados Árabes Unidos. Apesar dos conflitos no Oriente Médio, empresas brasileiras mantiveram o fornecimento para essa região, que é um dos maiores mercados para o país. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, destacou que além do Oriente Médio, houve crescimento na Arábia Saudita, Coreia do Sul e Europa.
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Logística e Competitividade como Pilares do Crescimento
Dilvo Grolli destaca que o conjunto de fatores que sustenta o desempenho inclui o reconhecimento internacional do controle sanitário, preço competitivo do frango brasileiro e paranaense, e uma logística eficiente. A proximidade de um porto ágil facilita a chegada do produto para exportação, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Riscos e Preocupações com o Mercado Europeu e Variação Cambial
Apesar do cenário positivo, o setor acompanha com apreensão o possível embargo da União Europeia, que pode entrar em vigor a partir de 3 de setembro. O mercado europeu responde por cerca de 8% das exportações brasileiras de carne de frango. Paulo Valini, diretor do Sindicato Rural de Cascavel, alerta para o impacto que uma restrição pode causar na produção e industrialização, já que esse mercado costuma oferecer preços superiores.
Se o embargo se confirmar, estimativas indicam que cerca de 500 mil toneladas de carne de frango permanecerão no mercado interno, sendo 200 mil toneladas somente no Paraná. Esse aumento da oferta pode pressionar ainda mais os preços pagos aos produtores, que já enfrentam uma defasagem de cerca de 20% nos últimos três anos.
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Outro ponto de preocupação é a queda da cotação do dólar, que passou de R$ 6,20 para R$ 5,20 entre 2024 e o primeiro semestre de 2026. Como as negociações são feitas em dólar, a desvalorização da moeda americana reduz a receita obtida pelas empresas brasileiras exportadoras.
Além disso, o setor teme que possíveis exigências burocráticas para manter as exportações causem atrasos na liberação das vendas. Dilvo Grolli ressalta que a análise documental pode levar tempo, e se for estendida, pode colocar as exportações em espera até que haja uma decisão final.
Esses desafios reforçam a necessidade de monitoramento constante do mercado e da adoção de medidas que garantam a competitividade do setor, fundamental para manter o impacto positivo na renda, produção e emprego no Paraná e no Brasil.
