Crescimento nas Exportações de Curitiba
A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) realizou, nesta quarta-feira (25), uma prestação de contas referente ao 3º quadrimestre, onde o secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, revelou que, mesmo diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, as exportações da capital paranaense cresceram quase 20% em 2025. Puppi destacou que o impacto do tarifaço, que começou a ser sentido no segundo semestre do ano, não foi suficiente para barrar o avanço nas vendas externas da cidade.
“Quando o tarifaço entrou em vigor no quarto bimestre, houve uma queda nas exportações”, afirmou o secretário, ao apresentar dados que comparam o desempenho das vendas para o mercado norte-americano em 2024 e 2025. Essa situação acendeu um alerta sobre os reais efeitos da política tarifária americana sobre a economia local.
Impactos do Tarifaço nas Exportações de Curitiba
Curitiba foi identificada como o quarto município paranaense mais impactado pelo tarifaço, registrando uma perda de aproximadamente US$ 44 milhões nas exportações para os Estados Unidos. No ranking de perdas, a cidade ficou atrás de Mandaguari, que sofreu uma queda de US$ 79 milhões, seguido por Campo Largo (US$ 52 milhões) e Telêmaco Borba (US$ 49 milhões).
Os setores que mais sofreram com essa situação incluem partes e acessórios de veículos, que perderam US$ 17 milhões (-9,4%), artigos e aparelhos ortopédicos com uma redução de US$ 16 milhões (-28%), e motores de pistão, que tiveram queda de US$ 7,6 milhões (-25%). A análise do secretário aponta que, apesar dessas perdas, houve uma compensação nas exportações de produtos que ganharam destaque em outros mercados.
Ajustes e Redirecionamento no Setor Exportador
Segundo Puppi, o crescimento nas vendas externas de Curitiba se deu em grande parte pela adaptação do setor exportador, que buscou novos caminhos para manter a competitividade. “Se perde de um lado, ganha de outro”, resumiu. Essa movimentação foi observada em setores que conseguiram expandir suas vendas fora do eixo norte-americano.
Os produtos que se destacaram por seus aumentos nas exportações incluem tratores, com US$ 448 milhões (+25%), soja triturada (US$ 323 milhões; +37%), veículos para transporte (US$ 287 milhões; +15%) e energia elétrica (US$ 95 milhões; +42%). O secretário ressaltou que Curitiba possui empresas do setor agrícola localizadas na Cidade Industrial, o que favoreceu esse crescimento significativo.
Novos Destinos para as Exportações
Em 2025, as exportações de Curitiba tiveram como principais destinos a América Latina e a Ásia. A Argentina liderou a lista, seguida por Peru, China e Chile, enquanto que os Estados Unidos caíram para a quinta posição, mesmo com o tarifário em vigor. Essa mudança de foco indica a resiliência das empresas curitibanas e sua capacidade de adaptação em um cenário global desafiador.
Com a atual movimentação, as empresas locais buscam diversificar mercados, atenuando assim o impacto adverso das tarifas americanas. O cenário, portanto, revela uma economia que, mesmo pressionada, encontra caminhos para crescer e se reinventar diante das adversidades.
