Rota Histórica em Foco
A Secretaria de Estado do Turismo do Paraná (Setu) recebeu, recentemente, o francês Gilles Verrecchia, que planeja uma expedição a pé ao longo dos antigos Caminhos do Peabiru. Essa jornada, que não visa fins lucrativos, irá percorrer os trajetos que ligam o Oceano Atlântico ao Pacífico, com início programado para fevereiro de 2026. A recepção de Verrecchia motivou uma reunião técnica na última segunda-feira (5), onde a Setu ofereceu orientações sobre as características turísticas e culturais dessa importante rota histórica.
No encontro, o expedicionário teve a oportunidade de dialogar com a coordenadora do Núcleo de Arqueologia do Museu Paranaense, Cláudia Inês Parellada, reconhecida por seu trabalho sobre os Caminhos do Peabiru. Sua participação, junto a uma equipe técnica da Setu, incluindo especialistas como a turismóloga Alexane Salles e a engenheira cartógrafa Amanda Leal, enriqueceu a discussão sobre os aspectos históricos e ambientais presentes na rota, além de sua complexidade e diversidade ao longo dos séculos.
Valorização do Patrimônio
Embora a expedição de Verrecchia seja um projeto pessoal, a Setu vê a oportunidade de ressaltar a importância do Programa Rota Turística Caminhos do Peabiru. Esta política pública visa valorizar o patrimônio histórico local e promover o turismo sustentável, atraindo a atenção do público para as riquezas culturais do Paraná. Os Caminhos do Peabiru são uma rede de trilhas ancestrais com mais de três mil anos de história, que conectavam diversos povos indígenas e exploradores europeus, cruzando o estado paranaense de Leste a Oeste.
Atualmente, a rota abrange cerca de 4,6 mil quilômetros e, nesta fase do programa, aproximadamente 2 mil quilômetros serão georreferenciados. O foco é na criação de uma rota turística que respeite o contexto histórico e ambiental, sem a intenção de reproduzir os caminhos originais. O Programa Rota Turística Caminhos do Peabiru foi estabelecido pelo Decreto Estadual nº 8.025/2024 e é coordenado pela Setu em parceria com a Secretaria de Estado do Planejamento e a Paraná Projetos, seguindo as diretrizes da Rede Trilhas, uma estratégia nacional voltada para trilhas de longo curso.
Desenvolvimento Sustentável
Com a participação de 97 municípios, o programa já realizou diversas ações, como a elaboração de planos de trabalho e mapeamentos dos traçados. As consultas públicas, que contaram com a presença de 2.746 pessoas, visam dialogar com as comunidades locais e os povos originários, promovendo o turismo de base comunitária e a conservação ambiental. O secretário de Turismo do Paraná, Leonaldo Paranhos, enfatiza que a iniciativa é um passo importante para o estado, ressaltando o valor cultural e histórico dos Caminhos do Peabiru. “Ao estruturar essa rota turística de maneira responsável, o Governo do Estado não apenas promove o turismo sustentável, mas valoriza os povos originários e preserva nosso patrimônio ambiental”, destaca.
Um Desafio Pessoal e Coletivo
Gilles Verrecchia compartilhou que conheceu os Caminhos do Peabiru há alguns anos e que a proposta o cativou por representar um desafio físico, espiritual e cultural, inspirado em suas experiências em trilhas de longa distância, como o Caminho de Santiago de Compostela. “Estou me preparando para levar uma água do Atlântico ao Pacífico. Não sei se conseguirei, mas a jornada em si já é um grande desafio”, revela Verrecchia.
A Setu ressalta que o Programa Rota Turística Caminhos do Peabiru não apoia expedições individuais sem planejamento, mas sim a construção de uma rota integrada, segura e sustentável, que possa ser usufruída por turistas, caminhantes e comunidades locais.
Preservando a História
A iniciativa também busca valorizar o legado dos povos originários, promovendo a educação patrimonial e posicionando o Paraná como um exemplo de turismo sustentável e de experiência. Durante a reunião, Cláudia destacou como o Peabiru é essencial para entender a rica diversidade biológica, ambiental e cultural do estado. “Os Caminhos do Peabiru nos ajudam a compreender como diferentes populações interagem com o ambiente ao longo do tempo, desde os povos indígenas até os imigrantes europeus”, conclui a arqueóloga.
