Aperfeiçoamento do Agronegócio e as Eleições de 2026
BRASÍLIA – O agronegócio brasileiro demonstra resistência em apoiar a possível candidatura à Presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O sentimento predominante entre os empresários do setor é a busca por um nome mais moderado dentro da centro-direita, mesmo diante das novas pesquisas que mostram Flávio como um candidato consolidado. Essa percepção é amplamente compartilhada entre parlamentares e representantes do agronegócio, abrangendo desde o campo até a agroindústria e os grandes exportadores.
As preocupações em relação à candidatura de Flávio incluem dúvidas sobre sua competitividade eleitoral e a capacidade de derrotar o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Um parlamentar vinculado ao setor, que preferiu se manter anônimo, informou que a principal preocupação é com a reeleição do PT, o que fortalece a esperança de que um candidato unificado da direita possa surgir.
Uma parte do agronegócio acredita que as pesquisas recentes indicam espaço para uma candidatura de direita que una diversos segmentos. Segundo este parlamentar, Flávio tem conseguido conquistar apoio do mercado financeiro e está consolidando uma base a partir do bolsonarismo, mas ainda carece do impulso necessário que um candidato de centro-direita precisa.
Incertezas e Medos do Setor
Interlocutores do agronegócio revelam incertezas sobre o pragmatismo que Flávio poderá adotar nas relações internacionais e no comércio externo. Existe temor quanto à continuidade de estratégias de políticas públicas que foram implementadas durante o governo Lula, como os incentivos aos biocombustíveis e a abertura de mercados para os produtos brasileiros. Relatos indicam que pelo menos dois nomes com experiências relevantes no governo anterior de Jair Bolsonaro não aceitaram colaborar com o programa de Flávio.
Alguns conselheiros de Flávio, como o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida, são vistos com desconfiança por parte do setor agropecuário. A razão? Sachsida é conhecido por suas posições contrárias aos combustíveis renováveis e sua gestão anterior é lembrada como um período de dificuldades para a indústria de biocombustíveis, especialmente devido ao congelamento da mistura obrigatória de biocombustíveis em óleos fósseis.
Eduardo Bolsonaro, irmão do senador e cogitado para assumir o cargo de Ministro das Relações Exteriores, também gera preocupações. O agronegócio lembra da escalada tarifária que ocorreu durante a gestão de Donald Trump e da deterioração das relações com a China, um dos maiores importadores de produtos agropecuários do Brasil.
Apoio no Campo e Alternativas ao Candidato Flávio
No entanto, no campo, os produtores têm demonstrado uma maior simpatia pela candidatura de Flávio, em parte pela sua conexão familiar e por sua postura em questões de segurança e costumes. Um presidente de uma das entidades de classe afirmou que o apoio do setor será garantido a qualquer candidato que tenha a chancela de Bolsonaro.
Lideranças do agronegócio citam outros nomes que poderiam unir a direita e conquistar apoio substancial do setor, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador do Paraná, Ratinho Junior, que é pré-candidato pelo PSD. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também mencionado, é visto como uma figura bem avaliada devido à sua gestão, embora tenha baixa popularidade em nível nacional.
Cenários Potenciais nas Eleições
Os representantes do setor apontam para dois cenários nas próximas eleições. Se Flávio confirmar sua candidatura, o agronegócio tende a apoiá-lo, embora empresários do setor agroindustrial e exportadores mantenham uma postura mais cautelosa, possivelmente apoiando a reeleição de Lula, uma divisão que já foi visível em 2022. Um parlamentar experiente indicou que o agronegócio mais dinâmico deve se alinhar a Lula, enquanto segmentos mais tradicionais e radicais seguem com Flávio.
Por outro lado, se surgir uma candidatura da terceira via, com Tarcísio e Ratinho entre os favoritos, a migração de apoio do setor é quase garantida. Um executivo do setor de exportação comentou que, caso uma candidatura unificada da centro-direita se concretize, o agronegócio empresarial, que é mais voltado aos negócios e pragmático, provavelmente optará por apoiar essa alternativa em vez de Lula.
Embora o governo Lula tenha tentado reatar laços com o agronegócio, promovendo grandes investimentos no setor, questões como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), propostas de aumento de impostos sobre atividades agropecuárias e a demarcação de terras indígenas mantêm o segmento à distância da reeleição de Lula.
Até o fechamento desta reportagem, a equipe do senador Flávio Bolsonaro não havia se pronunciado. O espaço permanece aberto para manifestações.
O governador de São Paulo é considerado o “favorito” entre os representantes do agronegócio. Lideranças do setor afirmam que Tarcísio é o único nome com capacidade de angariar apoio transversal, abrangendo tanto produtores quanto exportadores e indústrias. Embora figuras de peso na bancada agropecuária tenham demonstrado interesse em sua candidatura, as chances são vistas como remotas. Nos bastidores, a interpretação é de que o jogo político continua aberto, mas fortemente influenciado pela vontade de Bolsonaro, que permanece como financiador e possível veto das candidaturas no seu espectro político. Interlocutores relatam que a possibilidade de uma prisão domiciliar de Bolsonaro poderia alterar significativamente o cenário atual.
Ainda segundo aliados da senadora, o único candidato que ela aceitaria ser seu vice é Tarcísio, lembrando que sua relação com Valdemar ficou abalada após ela ter “desconvidado” o ex-presidente Jair Bolsonaro da candidatura em 2022.
