Resiliência econômica do Paraná em meio a cenários desafiadores
A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) divulgou três edições recentes do boletim Economia em Dia, que oferecem um panorama detalhado das perspectivas macroeconômicas global, nacional e estadual. Apesar da pressão causada pelas incertezas internacionais e pelas altas taxas de juros no Brasil, o Paraná demonstra uma robusta capacidade de adaptação, graças à diversificação e força de sua estrutura produtiva.
Impactos das tensões geopolíticas e dos juros no crescimento
O material elaborado pela Área Técnica de Economia (ATE) da Sefa destaca que as tensões geopolíticas, sobretudo no Oriente Médio, representam um risco direto para o agronegócio paranaense. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo, pode sofrer impactos que encarecem o custo do frete e comprometem o abastecimento de fertilizantes essenciais, como ureia e amônia, dos quais cerca de um terço da oferta mundial passa por essa região. Em 2025, 35% das importações brasileiras de ureia vieram do Golfo Pérsico.
No cenário interno, o Brasil enfrenta limitações que freiam o crescimento econômico. A projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026 é modesta, de 1,85%. A inflação persistente, estimada em 4,91% para 2025, acima do teto da meta pela segunda vez consecutiva, levou o Banco Central a manter a taxa Selic elevada, em 14,25% ao ano em maio de 2026. Com quase metade da renda das famílias comprometida com o sistema financeiro, o crédito fica mais caro e o consumo desacelera, restringindo a expansão econômica.
Crescimento do Paraná impulsionado pelo agronegócio e serviços
O Paraná sente os efeitos desse ambiente de juros altos, com a indústria local recuando 1,4% nos 12 meses até março de 2026 e o comércio varejista de automóveis caindo 8,4%. Mesmo assim, o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-PR) apontou crescimento de 1,8% no mesmo período, refletindo a capacidade do Estado de se reinventar.
O agronegócio é o principal motor dessa recuperação, com previsão de aumento na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, destacando-se a soja e o milho. Esse desempenho impulsiona o setor de serviços, que teve alta de 2,4%, especialmente nos transportes (+2,2%), diretamente ligados ao escoamento da produção agrícola. O comércio atacadista também registrou crescimento expressivo de 4,2%.
Segundo Eduardo Paim, economista responsável pelo Economia em Dia, “apesar dos juros elevados pressionarem a indústria e o comércio, a solidez do agronegócio e a sustentação do setor de serviços indicam uma expansão moderada e contínua da economia do Estado”.
Perspectivas para a economia paranaense
Conforme as análises dos boletins da Sefa, mesmo diante das limitações do cenário brasileiro e da complexidade global, a diversificação e vigor da atividade agropecuária do Paraná funcionam como vetores essenciais de resiliência econômica. Essa combinação garante a continuidade do crescimento e aponta para estabilidade econômica nos próximos anos, beneficiando renda, produção e emprego na região.
