Tecnologia a serviço da memória arquitetônica
O norte do Paraná guarda um legado arquitetônico pouco explorado: inúmeras igrejas históricas de madeira, espalhadas pela região e ameaçadas pelo tempo. Algumas dessas capelas chamam atenção por seus formatos inusitados, lembrando foguetes da época da corrida espacial. Para preservar essa história frágil, a arquiteta e pesquisadora Bianca Amorim Sena Souza realizou um trabalho pioneiro durante seu mestrado na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Bianca aplicou técnicas avançadas de fotogrametria digital e modelagem geométrica para documentar, com precisão, três igrejas históricas – duas em Apucarana e uma em Rolândia. Com o uso de drones, ela capturou imagens detalhadas das construções, registrando o método construtivo, a volumetria, o entorno e os elementos arquitetônicos. O resultado é um arquivo robusto que pode servir de base para futuras pesquisas e ações de conservação.
Experiência prática que impulsiona inovação
O desafio da pesquisa exigiu um conhecimento multidisciplinar. Bianca trouxe aprendizado do intercâmbio na Itália, onde atuou com restauração, e a experiência prática com drones adquirida na Prefeitura de Curitiba. Sob a orientação do professor Mauricio Hidemi Azuma, do Departamento de Arquitetura da UEL, e em parceria com a pesquisadora Pollyana Romagnoli Tamanini, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), ela uniu técnica e teoria para ampliar o alcance da documentação arquitetônica na região.
Leia também: Bahia Convoca 159 Novos Professores para Educação Básica: Oportunidade no Ensino
Fonte: vitoriadabahia.com.br
Leia também: Guaratinguetá Fortalece o Turismo: Compromisso e Oportunidades em Destaque
Fonte: omanauense.com.br
O uso da fotogrametria permite transformar imagens bidimensionais em modelos tridimensionais, aumentando a riqueza de detalhes e a precisão do registro. Assim, além de mapear características comuns nas capelas, como métodos construtivos, o estudo também revela as particularidades de cada uma, ressaltando sua relevância cultural e arquitetônica. Importante destacar que as igrejas seguem ativas, especialmente a localizada em Rolândia, mantendo viva a tradição local.
Impacto e desdobramentos da pesquisa
Hoje atuando em Curitiba, Bianca já aplica essa expertise em projetos voltados a prédios institucionais na capital federal. Para ela, a junção entre prática técnica e pesquisa acadêmica foi fundamental para o sucesso do trabalho e abriu caminho para novas oportunidades. “O céu é o limite”, afirma, demonstrando otimismo quanto à continuidade do uso dessas tecnologias no campo da preservação.
O professor Mauricio Azuma destaca o pioneirismo da iniciativa no Brasil, que estimula outros pesquisadores e amplia o uso da tecnologia para proteger patrimônios vulneráveis. Enquanto na Europa essa abordagem é consolidada, no país ela ainda está em crescimento, tornando o trabalho realizado na UEL uma referência importante.
Além das igrejas, o grupo coordenado por Azuma também pesquisa outros patrimônios em risco, como a malha ferroviária do norte paranaense. A continuidade desses estudos reforça a necessidade de registros digitais para garantir a conservação e valorização da história regional.
