Vetos e Indefinições na Corrida Eleitoral
As incertezas no PSD liderado pelo governador Ratinho Junior, somadas ao veto do PP ao senador Sergio Moro (União Brasil), estão provocando reviravoltas na disputa pelo Governo do Paraná. Restando apenas dois meses para o prazo final de filiações partidárias, a situação se torna cada vez mais crítica.
O cenário atual reflete um impasse nas esferas da direita e centro-direita, que há mais de 15 anos ocupa o Palácio Iguaçu, incluindo os mandatos de Beto Richa (PSDB) e Ratinho Junior. Este último, que foi secretário do governo tucano, é um dos nomes cotados ao Palácio do Planalto em 2026, ao lado de Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), todos sob a tutela do partido presidido por Gilberto Kassab.
No PSD, três pré-candidatos se destacam na corrida pelo governo, mas a decisão final está nas mãos de Ratinho Junior. Nos bastidores, o governador demonstrou preferência pelo secretário das Cidades, Guto Silva, embora ainda não tenha confirmado essa escolha publicamente.
Fontes revelaram que os outros dois filiados do PSD, que também aspiram à candidatura, são o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca. Ambos estão considerando deixar o partido até abril se forem preteridos na sigla do governador. Curi, por sua vez, consolidou uma forte rede de aliados nas prefeituras, enquanto Greca já foi três vezes prefeito de Curitiba.
Consequências do Veto ao Senador
A indefinição no PSD pode acabar beneficiando Sergio Moro, que há tempos se posiciona como pré-candidato ao Executivo estadual desde a eleição municipal passada. No entanto, a situação do ex-juiz federal também não é das mais tranquilas. Ele começa 2024 sem a certeza de que poderá continuar no União Brasil para concorrer ao governo, visto o veto imposto pelas lideranças do PP.
No mês de dezembro, o deputado federal Ricardo Barros anunciou que o diretório do PP no Paraná não irá homologar a candidatura de Moro ao governo estadual. Ademais, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, afirmou que não pretende intervir na posição local do partido, o que gera um impasse considerável.
Esse impasse se agrava ainda mais considerando que, no âmbito nacional, PP e União Brasil integram uma federação, a União Progressista, o que obriga os partidos a decidirem sobre candidaturas de maneira conjunta.
A reportagem deste veículo revelou que o PP está considerando três possibilidades. A primeira é apoiar o candidato do PSD escolhido por Ratinho Junior. A segunda opção é lançar um nome próprio, como a ex-governadora e ex-deputada federal Cida Borghetti, esposa de Barros, ou o ex-prefeito de Londrina e ex-deputado federal Marcelo Belinati. Por fim, uma terceira possibilidade do PP seria oferecer a filiação a Greca, colocando-o na disputa.
Alianças e Estratégias da Esquerda
Moro, por sua vez, conta com o suporte de Antônio de Rueda, presidente nacional do União Brasil, mas enfrenta dificuldades em encontrar um novo partido para se filiar. O PL, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, já expressou apoio ao candidato que será escolhido por Ratinho. O partido Novo também considerou a pré-candidatura de Paulo Martins, vice-prefeito de Curitiba, mas não descarta a possibilidade de uma aliança com o PSD.
No campo político da esquerda e centro-esquerda, as definições já estão sendo firmadas. O PT optou por apoiar a pré-candidatura do deputado estadual Requião Filho, do PDT, ao governo estadual. Esta decisão repete a estratégia adotada pelos petistas nas últimas eleições para a Prefeitura de Curitiba, onde optaram por apoiar uma chapa de aliados do PSB e do PDT, abrindo mão de uma candidatura própria.
O intuito do partido do presidente Lula é garantir um palanque forte e competitivo nesse espectro político, mesmo sem apresentar nomes próprios na chapa. Essa aliança no Paraná também marca um reaproximamento com a família Requião. Em 2022, o ex-governador e ex-senador Roberto Requião se filiou ao PT, participando da corrida ao Executivo estadual para fortalecer a candidatura de Lula. No entanto, no início de 2024, ele deixou a sigla, alegando ter sido ignorado pelo partido após as eleições. Recentemente, Requião se uniu ao PDT junto de seu filho, que agora é pré-candidato ao governo.
