A Decisão Surpreendente de Ratinho Junior
Embora o nome Ratinho remeta a um estereótipo, aliados do governador do Paraná, Ratinho Junior, o descrevem como um “gato em cima de uma mesa de cristais”, ressaltando sua cautela em momentos decisivos. Recentemente, a política brasileira foi surpreendida com a notícia de que o governador desistiu de sua candidatura presidencial, que até então parecia ter um bom futuro nas alturas. A decisão, segundo fontes próximas, foi influenciada por sua família, especialmente seu pai, que pediu para evitar os riscos da exposição que uma campanha ao Planalto traria.
A renúncia ao projeto nacional não ocorreu apenas por motivos familiares, mas também por fatores políticos locais que pesaram na balança. A filiação de Sergio Moro ao PL, partido no qual pretende concorrer ao Palácio Iguaçu, acendeu alertas em Ratinho. Ele se preocupou com duas possibilidades: a derrota do PSD nas eleições estaduais e o risco de um desempenho abaixo do esperado em sua própria terra nas disputas pela presidência.
Movimentações Atrás das Câmeras
Nas últimas semanas, encontrar Ratinho Junior na sede do governo em Curitiba se tornou uma tarefa complicada. O governador estava intensamente envolvido em reuniões em São Paulo e Brasília, onde buscava estruturar sua candidatura. O paranaense despontava como o preferido do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e sua nomeação parecia iminente. Mas, na última segunda-feira, Kassab recebeu um telefonema inesperado, e Ratinho revelou sua decisão de desistir da corrida.
Antes de informar Kassab, Ratinho compartilhou sua decisão com alguns políticos próximos, como Guto Silva, secretário de Cidades, e Marcio Nunes, de Agricultura. Embora tenha participado de um almoço com mais de 30 deputados sem mencionar sua desistência, a notícia foi divulgada poucas horas depois.
Ainda com um índice de aprovação superior a 80%, o governador percebeu que a candidatura de Moro poderia prejudicar as chances do candidato que ele viesse a apoiar. Para manter o controle sobre o processo sucessório, decidiu permanecer à frente do governo até o final do ano. Considerações sobre o possível baixo desempenho nas urnas, especialmente em relação ao “voto útil” da direita em favor de Flávio Bolsonaro, também pesaram na decisão de Ratinho.
Uma Escolha Familiar
Ao optar pela desistência, abriu espaço para a candidatura de Ronaldo Caiado no PSD, enquanto Eduardo Leite observa de fora. Essa decisão foi tomada discretamente, dentro do núcleo familiar. Quando Ratinho cogitou inicialmente a candidatura, seu pai apoiou a ideia, mesmo com a preocupação em relação à visibilidade da campanha. Entretanto, durante a noite anterior à decisão, a família foi clara ao expressar suas apreensões.
O apresentador Ratinho reforçou as preocupações sobre a exposição que a campanha poderia trazer aos negócios da família, que hoje incluem um grande conglomerado midiático e interesses no agronegócio. Ele alertou que a eleição seria agressiva e que a divisão no campo da direita poderia ser usada contra eles.
A Influência do Pai e a Carreira Política de Ratinho
A figura do apresentador, que mantém um papel central na trajetória política do filho, é indiscutível. Ratinho Junior, conhecido como Juninho na família, sempre utilizou o sobrenome para fortalecer sua presença nas urnas. Em sua primeira candidatura, em 2002, 90% dos recursos arrecadados vieram do bolso do pai, que tem sido um apoiador constante ao longo de sua carreira política.
O Paraná, com seus 399 municípios, tem suas raízes na região de Jandaia do Sul, onde Carlos Roberto Massa, o Ratinho pai, começou sua trajetória. A área é conhecida por sua fertilidade, um legado que a família soube aproveitar. Mesmo tendo passado a maior parte da vida em Curitiba, Juninho se orgulha de suas raízes.
Além de sua consolidada carreira na mídia, Ratinho construiu um império no agronegócio, atuando em setores como milho, soja e café. Sua trajetória na televisão decolou quando adquiriu emissoras que se tornaram parte da Rede Massa em 2008. A força da família Massa na política paranaense é notável, criando uma dinastia que combina influência midiática e poder econômico, com Ratinho Junior contando com a notoriedade do sobrenome para alavancar sua carreira.
Desafios e Aprendizados
A única derrota eleitoral de Ratinho Junior ocorreu em 2012, quando concorreu à prefeitura de Curitiba. Desde então, ele tem focado no Palácio Iguaçu, considerando que a força do interior é essencial para o sucesso. A relação com o PT se desgastou após sua frustração nas eleições de 2012, e a conexão com o bolsonarismo se intensificou nos últimos anos.
Com um governo marcado por altos índices de aprovação, Ratinho Junior tem se destacado em diversas frentes, incluindo a educação, onde o Paraná alcançou o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Todavia, suas decisões, como a privatização de escolas, atraem críticas da oposição, que argumenta que ele transformou o estado em um local de “estado mínimo”.
Agora, ao decidir não seguir em frente com sua candidatura presidencial, Ratinho Junior optou por preservar suas conquistas e evitar os riscos que a visibilidade traz. Ele priorizou não apenas sua família, mas também sua imagem política e os interesses locais, mostrando que, mesmo em um ambiente político desafiador, a prudência pode prevalecer.
