Movimento Político no Paraná
A recente chegada do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) provocou a saída de 48 dos 53 prefeitos que eram filiados à sigla no Paraná. O anúncio dessa debandada ocorreu em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, liderada pelo deputado federal Giacobo, ex-presidente do diretório estadual do partido. Giacobo ressaltou que também está deixando o PL, citando descontentamentos com a nova direção e a falta de apoio para sua candidatura ao governo do estado.
Nos últimos meses, Giacobo havia se posicionado como um forte aliado da ala governista, expressando seu desejo de concorrer ao cargo de governador. No entanto, a escolha do PL em apoiar Moro, em detrimento de sua candidatura, o levou a tomar essa decisão drástica. “Minha decisão é baseada na coerência. Estou triste, mas não tenho nada contra o PL, apenas a favor de um partido de direita que defende aquilo que sempre acreditei”, afirmou o deputado.
Giacobo fez questão de enfatizar que a ruptura está ligada à quebra de um acordo prévio que previa a candidatura de um nome alinhado ao governador Ratinho Jr. “Sempre declarei que íamos apoiar o candidato que Ratinho escolhesse. Não fui eu quem quebrou um acordo”, declarou. A tensão entre as lideranças do PL e a figura de Moro tem gerado um clima de incerteza, especialmente entre os prefeitos que se sentiram desamparados com as novas diretrizes do partido.
Impasse na Candidatura e Pesquisas Impedidas
Antes do anúncio oficial de Moro como candidato a governador, Giacobo buscou apoio e divulgou a intenção de ser testado em uma pesquisa de intenção de voto. No entanto, a divulgação dos resultados foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado, que argumentou que isso poderia comprometer a disputa. Essa decisão evidenciou o clima tenso e as disputas internas no PL, onde a ala que apoiava Moro se tornou predominante.
Além disso, a documentação interna da cúpula nacional do PL indicava que Giacobo não estava na lista de opções para a candidatura ao governo. O parlamentar, que já havia solicitado a cassação do mandato de Moro após as eleições de 2022, se vê agora em uma situação delicada, considerando a possibilidade de se filiar a outro partido de direita que esteja alinhado ao governo estadual.
Repercussões e Futuras Alianças
A saída de Giacobo e a debandada de prefeitos podem afetar significativamente a base governista no Paraná. A aliança que vinha sendo negociada entre o PL e os aliados de Ratinho, que incluía a indicação de Filipe Barros ao Senado, foi comprometida com a escolha de Moro como candidato. O governador, que recentemente sinalizou a desistência de uma candidatura à Presidência, agora se vê em uma posição de reforçar sua base política no estado, utilizando a máquina administrativa para apoiar um sucessor ainda não definido.
Dentro das opções de sucessão, os nomes estão sendo discutidos entre aliados e incluem pessoas como Guto Silva, secretário das Cidades, e Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa. Outro nome que vem sendo mencionado é o do atual prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, que, a depender da decisão, teria que deixar o cargo e entregá-lo ao seu vice, Paulo Martins, alinhado a Moro. Esse movimento gera mais tensão, já que Martins é ligado a um partido que poderá ter influência na definição da chapa que disputará as próximas eleições.
Com tantas reviravoltas, o cenário político no Paraná se torna cada vez mais incerto. A disputa pela liderança entre o PL e as forças que apoiam Moro promete agitar ainda mais o ambiente político local, enquanto Giacobo e seus novos aliados buscam uma alternativa que possa preservar suas bases e objetivos políticos.
