A Nova Realidade dos Cursos de Saúde no Paraná
O estado do Paraná teve um total de 9.788 pessoas aprovadas na chamada regular do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2026, que busca candidatos para diversas universidades. Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), foram registradas 143.571 inscrições, considerando que cada candidato podia optar por até dois cursos. Entre as instituições, três programas da UEL (Universidade Estadual de Londrina) figuram na lista dos dez mais concorridos, sendo eles: biomedicina (3º lugar), direito vespertino (6º) e administração noturno (10º). Este cenário demonstra como os novos vestibulandos estão cada vez mais voltados para a atuação na reabilitação e reintegração social, unindo saúde, ciência e tecnologia.
O curso de biomedicina da UFPR (Universidade Federal do Paraná) despontou como o mais concorrido neste ano. Outros cursos que atraíram a atenção foram psicologia (4º lugar) e fisioterapia (8º). Na UEM (Universidade Estadual de Maringá), os interessados buscaram vagas em medicina (2º lugar), biomedicina (5º) e engenharia de software (7º). A Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) também figura na lista, ocupando o nono lugar com medicina, todos na modalidade bacharelado.
Por que a Demanda por Profissionais de Saúde tem Crescido?
De acordo com Andrea Name, professora e diretora do CCS (Centro de Ciências da Saúde) da UEL, a crescente procura por cursos na área da saúde é um reflexo da necessidade da sociedade. Com o aumento da longevidade da população e os avanços nas intervenções médicas, a demanda por formação especializada se intensifica. “Aumentamos a possibilidade de vida desde o nascimento até o envelhecimento. Anteriormente, bebês com 700 gramas enfrentavam altas taxas de mortalidade, mas hoje conseguem sobreviver. O mesmo se aplica aos idosos, que agora têm acesso a diagnósticos e tratamentos”, explicou.
Segundo Name, o campo da saúde está se adaptando para atender diferentes necessidades, abrangendo desde o tratamento de doenças até a reabilitação. Ela exemplificou a importância desse aspecto com a recuperação de pacientes que sofreram um AVC (Acidente Vascular Cerebral), destacando que é fundamental analisar o cuidado com a saúde em diversas dimensões.
A Tecnologia como Aliada na Saúde
O foco na reabilitação tem gerado novas oportunidades dentro do setor de saúde, com Name mencionando o crescimento dos cuidados paliativos e tratamentos multiprofissionais nos últimos anos. A integração da tecnologia, como computação, inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina, também se destaca, mostrando que o ensino superior está se adequando a essas demandas com a oferta de novos cursos. “Os cursos na área da saúde sempre foram populares, e vamos continuar a vê-los em alta. É essencial adaptar os currículos para incorporar essas inovações”, afirmou.
Além disso, Name reforçou a importância de cursos como bioinformática e ciência de dados, que, embora não estejam diretamente ligados ao cuidado, são fundamentais para o avanço na área de diagnósticos e desenvolvimento de novos equipamentos médicos.
Histórico de Grande Demanda
Karen Brajão, vice-coordenadora do curso de biomedicina da UEL, destacou que a carreira do biomédico está intrinsecamente ligada à tecnologia, exigindo que os profissionais se mantenham atualizados. Ela destacou a capacitação necessária para atuar com IA aplicada ao diagnóstico, medicina de precisão e outras áreas emergentes. Neste ano, o curso de biomedicina na UEL foi o 3º mais procurado no estado, com 913 inscrições e cinco aprovados, reforçando o interesse constante por essa área desde sua implementação em 2000.
O Impacto da Acessibilidade na Escolha Profissional
O vestibular de medicina da UEL, que há anos lidera a lista dos mais concorridos, registrou 5.816 inscritos, com 64 vagas disponíveis. Isso representa uma concorrência de 84 candidatos por vaga, mostrando que a busca por intervenções médicas segue em alta. Andrea Name observou que a maior acessibilidade ao ensino superior, por meio de cotas e modalidades de ingresso como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), também tem contribuído para o aumento da demanda. “Agora mais pessoas podem sonhar em fazer um curso de medicina”, ponderou.
Novos Cursos: Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional
A UEL está expandindo sua oferta de cursos para atender a demandas emergentes. Em agosto do ano passado, foi aprovada a criação do curso de Fonoaudiologia, que visa suprir a necessidade de profissionais qualificados na saúde básica de Londrina e região. “Trabalhamos com a prevenção e promoção da saúde, mas a reabilitação ainda precisa de atenção”, observou Name. A criação de um curso de Terapia Ocupacional também está em pauta, com o objetivo de preparar profissionais para lidar com desafios como autismo e reabilitação após AVCs.
“Estamos nos modernizando para atender as crescentes demandas da população. Esperamos que os novos cursos se tornem opções viáveis já no próximo vestibular”, concluiu a diretora.
