Impactos Econômicos e Logísticos
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP) está atenta aos riscos que o agronegócio brasileiro pode enfrentar em virtude do aumento das tensões no Golfo Pérsico, onde conflitos envolvem potências como os Estados Unidos, Israel e Irã. O presidente da FAESP, Tirso Meirelles, enfatizou que a entidade está monitorando de perto as consequências econômicas e diplomáticas da crise, que afetam diretamente a estrutura de custos e a logística global do setor agropecuário.
“Estamos acompanhando continuamente os indicadores de mercado. O conflito atinge o coração da estrutura de custos do agronegócio brasileiro e o setor é o primeiro a sentir os efeitos da volatilidade internacional”, destacou Meirelles.
Pressão sobre Custos e Inflação
A alta nos preços do petróleo impacta diretamente o custo do diesel, o que eleva os gastos com produção e transporte no campo. Em paralelo, a valorização do dólar torna os insumos mais caros e pressiona a inflação de alimentos, reduzindo a margem de lucro dos agricultores. Segundo a FAESP, essa situação gera uma cadeia de reações que vai desde o aumento do custo operacional nas propriedades até a elevação do preço final dos alimentos no mercado.
Exportações em Perigo
As tensões no Oriente Médio levantam preocupações significativas sobre as exportações agrícolas brasileiras. O Irã, um dos principais parceiros comerciais do Brasil, correspondeu a 25% das exportações de milho em 2025, totalizando cerca de 9 milhões de toneladas. Além disso, 25% das exportações de proteína animal do Brasil têm como destino o Oriente Médio, uma região que agora enfrenta incertezas logísticas devido às tensões no Canal de Ormuz, uma rota vital para o comércio global.
“O agronegócio paulista e brasileiro enfrentará desafios críticos em suas exportações, com riscos de interrupções logísticas e barreiras comerciais”, comentou a FAESP em um comunicado.
Dependência de Fertilizantes e Vulnerabilidades
A preocupação também se estende às importações, com foco na dependência do Brasil em relação aos fertilizantes nitrogenados, em especial a ureia, cujas principais fontes são oriundas do Oriente Médio. Estima-se que cerca de 90% do suprimento desses insumos venha da região afetada. Aproximadamente um terço do comércio mundial de fertilizantes passa pelo estreito de Ormuz, que atualmente enfrenta riscos de bloqueio e desvio de rotas, podendo resultar em escassez e aumento de custos no Brasil.
Proposta de Plano Nacional
A FAESP defende a implementação de um plano de Estado de longo prazo que vise a autossuficiência em insumos e segurança alimentar. Meirelles ressaltou que é essencial fortalecer a produção interna para diminuir a dependência externa, atualmente estimada em 85% para alguns produtos estratégicos. “Essa crise expõe uma vulnerabilidade sistêmica do Brasil. É urgente que sejam adotadas políticas que priorizem a soberania alimentar e produtiva”, afirmou o presidente da FAESP.
Diplomacia e Ações Preventivas
A entidade também fez um apelo para que o governo federal e as autoridades estaduais adotem uma postura cautelosa em relação à diplomacia, evitando sanções comerciais ou barreiras tarifárias que poderiam resultar em prejuízos semelhantes aos observados em crises passadas. A FAESP sugere o uso da diplomacia comercial como um meio para preservar o equilíbrio econômico e proteger os produtores, cooperativas e agroindústrias brasileiras.
“Nosso alerta não se restringe apenas ao agronegócio, mas se estende a toda a economia nacional. Um conflito dessa magnitude pode provocar uma recessão global, além de instabilidade e impactos duradouros no comércio internacional”, concluiu Meirelles.
Diálogo e Mitigação de Efeitos
A FAESP anunciou que mantém um diálogo constante com cooperativas, exportadores e autoridades públicas para monitorar o cenário atual e implementar medidas que garantam o abastecimento seguro e preços justos ao consumidor. O foco da entidade é proteger os produtores e assegurar que os alimentos continuem a chegar à mesa da população, mesmo em um contexto de crise geopolítica global.
