Aumento nos Custos e Riscos Logísticos Preocupam Produtores Catarinenses
O recente conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio despertou um alerta significativo para o agronegócio de Santa Catarina. A principal preocupação está relacionada às exportações, que, com o agravamento da situação, tendem a enfrentar custos elevados de frete marítimo e seguros, além de um aumento geral no risco das operações, segundo a Epagri.
Dados do Observatório Agro Catarinense apontam que as exportações do setor no estado para países afetados diretamente pelo conflito atingiram a marca de aproximadamente 915 milhões de dólares em 2025. Curiosamente, esse montante superou o volume destinado à União Europeia no mesmo período. Apesar da queda nos preços internacionais, as remessas físicas apresentaram crescimento, especialmente voltadas para mercados como Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel.
As interrupções nas rotas marítimas, principalmente no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, provocadas pelos bombardeios, têm gerado preocupações logísticas para Santa Catarina. Atrasos e desvios de rotas impactam operações em portos como Navegantes, Itapoá e São Francisco do Sul, uma vez que reduzem a disponibilidade de contêineres refrigerados, fundamentais para as exportações de proteínas animais.
O analista de socioeconomia e desenvolvimento agrícola da Epagri/Cepa, Roberth Villazon Montalvan, destaca que o maior desafio recai sobre o Irã, onde a possibilidade de interrupções no envio de grãos — o principal produto exportado pela região — é um receio crescente. O volume enviado ao país persa teve um aumento de 57%, refletindo a importância desse mercado para os produtores catarinenses.
Preocupações com Importações e Fertilizantes
Além das preocupações com as exportações, o cenário de conflito também levanta questões em relação às importações. O setor agrícola catarinense depende fortemente de fertilizantes e ureia, cruciais para o cultivo de milho, essencial na alimentação de aves e suínos. Os principais fornecedores dessas matérias-primas para o Brasil incluem Omã, Catar, Bahrein, Arábia Saudita, Egito e Irã, o que aumenta a vulnerabilidade do setor em face de bloqueios e da elevação dos preços do petróleo devido às hostilidades.
Conforme observado pela Epagri, o encarecimento dos fertilizantes, junto ao aumento no preço do diesel e dos custos de transporte interno, pressiona ainda mais as margens de lucro dos produtores e frigoríficos. Ademais, há um receio crescente quanto à possibilidade de aumentos unilaterais nas tarifas de importação por parte dos países da região, o que representa um sinal de alerta para os agricultores catarinenses.
Impactos Financeiros e Alternativas nas Importações
Recentemente, o mercado financeiro já começou a sentir os efeitos das tensões no Oriente Médio, com a cotação do barril de petróleo ultrapassando 100 dólares nesta quinta-feira, resultado de novas ameaças de escalada do conflito. Para as exportações, a preocupação é que a dificuldade logística e os riscos associados aos embarques possam levar a um excesso de oferta de carnes no mercado interno, provocando alterações significativas nos preços e nas margens de lucro.
No que diz respeito às importações de fertilizantes, os produtores já buscam alternativas em países como Marrocos, Canadá e China, embora essas nações não possuam acordos comerciais preferenciais com o Brasil.
Villazon Montalvan ressalta que o cenário atual exige que o agronegócio catarinense intensifique o planejamento dos estoques de insumos e busque diversificação nas rotas comerciais. Ele enfatiza que a manutenção dos rigorosos padrões sanitários é um ativo crucial para garantir o acesso a mercados menos voláteis durante períodos de crise.
