Medidas Emergenciais para Combater a Chikungunya
O Governo Federal está intensificando suas ações para enfrentar a emergência sanitária em Dourados (MS), onde os casos de chikungunya têm aumentado rapidamente. Com a mobilização de uma força-tarefa interministerial, as autoridades estão integrando esforços nas áreas de saúde, assistência, defesa civil e logística para atender às necessidades da população. A situação se agrava, especialmente nas comunidades indígenas, que estão sendo fortemente impactadas pela epidemia.
Como parte desse esforço, o Governo destinou mais de R$ 3,1 milhões em recursos emergenciais para o município de Dourados. Deste montante, R$ 1,3 milhão foram autorizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), conforme uma portaria publicada recentemente. Esses recursos visam apoiar ações de socorro e assistência humanitária, proporcionando auxílio direto à população e fortalecendo as estruturas locais de resposta.
Ainda nesta quinta-feira (2), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil aprovou um plano de trabalho no valor de R$ 974,1 mil. Esse investimento será utilizado para ações de restabelecimento, que incluem limpeza urbana, remoção de resíduos e destinação adequada em aterros sanitários licenciados, com transferência de recursos diretamente ao município. Além disso, o Ministério da Saúde já repassou R$ 855,3 mil para custear ações de vigilância, assistência e controle da chikungunya na região.
Ações de Vigilância e Assistência
A resposta federal à epidemia está em andamento desde março, sob a coordenação do Ministério da Saúde. A Força Nacional do SUS foi mobilizada para reforçar as equipes assistenciais e intensificar as ações de vigilância e controle vetorial na área. Isso inclui busca ativa de casos, visitas domiciliares e eliminação de criadouros do mosquito vetor da doença, com especial atenção às áreas mais vulneráveis, incluindo os territórios indígenas.
Atualmente, a Força Nacional do SUS conta com 40 profissionais em ação, dos quais 26 estão diretamente envolvidos no atendimento à população. Até o momento, já foram realizados 1.288 atendimentos clínicos, 81 remoções para tratamento de média e alta complexidade e 225 visitas domiciliares. As equipes estão atuando tanto em áreas indígenas quanto nos municípios de Dourados e Itaporã, fortalecendo a gestão local e promovendo assistência, educação em saúde e cuidado psicossocial.
Em adição, a Fiocruz fez o envio de medicamentos para o tratamento da dor, ajudando a atender a demanda local gerada pela epidemia.
Reforço na Mobilização e Capacitação
Para aumentar a capacidade de resposta à epidemia, o Ministério da Saúde autorizou a contratação emergencial de 50 Agentes de Combate às Endemias (ACEs). Desses, 20 já foram treinados e começarão a atuar nesta sexta-feira (3), enquanto outros 30 iniciarão sua capacitação na próxima segunda-feira (6).
No âmbito do controle vetorial, as ações foram intensificadas com a mobilização de aproximadamente 95 profissionais, incluindo ACEs e Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN). Entre 9 e 16 de março, foram inspecionados 4.319 imóveis, com tratamento em 2.173 deles, resultando na identificação de 1.004 focos do mosquito Aedes aegypti, principalmente em recipientes de armazenamento de água e resíduos sólidos.
As ações de controle incluem bloqueios com aplicação de inseticida a ultrabaixo volume (UBV), que foram realizadas em três ciclos de UBV veicular, além da aplicação costal em 43 imóveis de alto tráfego, como escolas e unidades de saúde. Uma ação voluntária de retirada de criadouros mobilizou cerca de 100 pessoas, resultando no recolhimento de quatro caminhões de resíduos.
Apoio às Comunidades Indígenas
O controle do vetor também receberá apoio do Ministério da Defesa, que enviou 40 militares do Exército Brasileiro e cinco viaturas para ampliar a capacidade operacional das ações de combate ao mosquito.
Adicionalmente, o Ministério da Saúde enviou 1.000 Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs). Dentre as primeiras 300 unidades, 150 já foram instaladas em bairros prioritários, com planos de expansão para outras regiões do município. A Funai também está implementando ações de apoio direto às comunidades indígenas de Dourados, focando na segurança alimentar e no acesso à água potável.
Cenário Epidemiológico Atual
De acordo com os dados mais recentes da vigilância epidemiológica, até 2 de abril, Dourados registrava 2.812 notificações de chikungunya, sendo 1.198 confirmadas, 430 descartadas e 1.184 em investigação. A maior concentração de casos, 822, foi identificada nas aldeias indígenas, correspondendo a 68,6% do total de confirmações na região.
Até o momento, foram confirmados cinco óbitos em Dourados, todos entre a população indígena. Para garantir uma coordenação ágil nas ações, o Ministério da Saúde estabeleceu, em 25 de março, uma Sala de Situação em Brasília, que realiza reuniões permanentes para monitorar o cenário e integrar as decisões entre as equipes técnicas e gestores.
No território indígena, as ações estão sendo realizadas de forma coordenada entre os ministérios da Saúde, Povos Indígenas, Integração e Desenvolvimento Regional, Defesa, Desenvolvimento Social, Funai e o Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS). Isso inclui 210 Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e 150 Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN), além de reforços logísticos com 91 pickups, 6 vans e 1 caminhão. Estão previstas ainda capacitações para profissionais de saúde e ações de educação em saúde nas escolas e comunidades.
