Chapa Greca-Curi em Foco
No Paraná, a política vive um momento de intensa movimentação. A nova pesquisa da Paraná Pesquisas, divulgada nesta segunda-feira (13), coloca o governador Ratinho Junior (PSD) diante de um de seus maiores desafios na sucessão estadual. O levantamento ocorre em meio a um cenário em que o senador Sergio Moro (PL) se destaca como favorito, enquanto o campo governista enfrenta dificuldades em definir um candidato. Desde março e abril, as sondagens indicam Moro em ascensão, liderando em todos os cenários analisados por institutos como Paraná Pesquisas, IRG e AtlasIntel.
O que mais impacta o governo é não apenas a popularidade de Moro, mas a disparidade entre a força política de Ratinho e a fragilidade eleitoral do seu potencial sucessor, que ainda não foi escolhido. De acordo com a pesquisa de março, embora Ratinho tenha uma aprovação de 84,3%, seus aliados mais próximos, como Guto Silva e Alexandre Curi, apresentaram números baixos nas intenções de voto, enquanto Moro se mantinha à frente com 44% em alguns cenários.
Movimentações na Oposição
Portanto, a situação não se tornou mais favorável para o governo nas semanas seguintes. Uma nova pesquisa do IRG, divulgada em 19 de março, reafirmou a liderança de Moro, com Curi, Greca e Guto em posições subalternas. A AtlasIntel, que divulgou resultados em 2 de abril, mostrou o senador aumentando sua margem de vantagem para mais de 20 pontos em relação aos demais nomes testados.
Diante desse cenário, uma frente de centro-direita começa a ganhar força, unindo Republicanos, MDB, Podemos e outros partidos menores. Os líderes dessa nova coalizão acreditam que, se concretizada, poderão assegurar cerca de 40% do tempo de veiculação eleitoral, o que as tornaria um competidor significativo na disputa.
O diálogo nessa frente já se intensificou. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que deixou o PSD para se filiar ao Republicanos, e o ex-prefeito Rafael Greca, agora no MDB, estão articulando suas pré-candidaturas. As conversas incluem três possíveis combinações para a chapa: Curi-Greca, Greca-Curi, e a mais recente proposta que inclui Marcelo Belinati (PP), visando unir a capital e o interior do estado.
Desafios do Governador
A chapa que poderia reestabelecer a ligação entre Curitiba e Londrina ecoa a antiga parceria política da eleição de 1994, quando Jaime Lerner venceu a disputa com Emília Belinati. Dentro desse novo arranjo, Curi concorreria ao Senado, o que poderia fortalecer ainda mais a nova aliança.
No entanto, a avaliação entre os aliados de Ratinho é preocupante. O governador, ao exonerar 19 nomes de seu primeiro escalão no início do mês, mostrou-se hesitante em arbitrar a sucessão, o que se traduziu em uma fragilidade política crescente. O rearranjo de seu secretariado começou apenas na quinta-feira (9), criando um vácuo que seus adversários já estão aproveitando.
Outro ponto que gera desconforto é a figura de Guto Silva, que, segundo prefeitos ouvidos, não conseguiu decolar em sua trajetória política devido a um histórico de problemas na Secretaria das Cidades. Relatos sobre convênios não cumpridos e um índice de execução de apenas cerca de 20% têm comprometido a imagem do secretário, levando muitos a questionar a viabilidade de sua candidatura.
Crises e Desafios em Aumento
A crise política se aprofunda ainda mais com os desdobramentos envolvendo o Banco Master. Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado revelam transferências financeiras que totalizam mais de R$ 24 milhões de empresas do Banco Master ao Grupo Massa. Apesar de o Grupo Massa afirmar que Ratinho não possui vínculo societário com as empresas mencionadas, a CPI já se mobilizou para investigar o caso. Este fato, segundo adversários políticos, é uma ameaça que pode impactar negativamente o projeto presidencial do governo.
Politicamente, essa situação torna o Palácio Iguaçu mais dependente da Assembleia Legislativa, aumentando a vulnerabilidade do governo frente a bancadas que percebem a hesitação de Ratinho. Informantes relatam que membros do PL estão pressionando para investigar os contratos de publicidade relacionados ao Grupo Massa, o que pode gerar consequências imediatas.
O recente movimento de Jorge Gerez, marqueteiro de Ratinho, que se reuniu com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para discutir estratégias, também chamou a atenção. Essa movimentação leva muitos a especular sobre um possível acordo entre setores do governo e a base de Moro, intensificando ainda mais as preocupações sobre a estabilidade da administração atual.
A sondagem da Paraná Pesquisas, portanto, não é apenas um reflexo da situação atual, mas um termômetro do poder de Ratinho. Um resultado que mantenha Moro à frente pode indicar um desgaste profundo, facilitando a ascensão da frente dissidente e permitindo que Greca e Curi negociem em posição de força, enquanto o governo perde o controle da sucessão.
Ratinho possui, sem dúvida, a máquina administrativa e um bom índice de aprovação. Contudo, a história nos ensina que a inação em períodos eleitorais pode permitir que outros tomem decisões em seu lugar. Acompanhe as atualizações sobre os desdobramentos políticos no Blog do Esmael.
