Capacitação na Atenção Primária à Saúde
O Governo do Paraná está promovendo a capacitação de profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS) com o objetivo de ampliar a abordagem sobre saúde mental. Essa iniciativa busca fortalecer a identificação precoce de indivíduos que enfrentam sofrimento emocional ou transtornos mentais, além de organizar o cuidado na rede pública de saúde. A qualificação é promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e visa impactar diretamente a rotina de atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do estado.
Neste ano, a Sesa deu início ao treinamento em municípios da Macrorregião Norte e na 4ª Regional de Saúde, localizada em Irati. A expectativa é que a capacitação se expanda para outras regionais. Até agora, aproximadamente 200 profissionais já participaram da formação, e a previsão é que outros 240 sejam treinados até o final de março, atuando como multiplicadores em suas comunidades e ampliando o alcance do atendimento.
Formação Contínua e Resultados Esperados
Em 2025, mais de 18 mil trabalhadores da APS terão passado por essa formação, que faz parte do PlanificaSUS Paraná – uma estratégia de educação contínua voltada para a melhoria da organização dos processos e serviços da Rede de Atenção à Saúde. A Sesa estabeleceu a formação continuada em Saúde Mental na APS para o triênio 2024 a 2026, enfatizando a importância de uma abordagem sistemática na área de saúde mental.
Para Beto Preto, secretário estadual da Saúde, essa iniciativa reforça o compromisso do estado com a capacitação permanente dos profissionais. Ele destaca: “Estamos estruturando o cuidado em saúde mental dentro da Atenção Primária, garantindo que as equipes estejam preparadas para acolher, identificar e conduzir os casos de forma adequada. Isso amplia o acesso, fortalece a rede e assegura um cuidado mais próximo da população”. Segundo ele, essa ação contribui para a consolidação de um modelo de atenção mais integrado e alinhado às necessidades contemporâneas.
Metodologia Internacional e Ações Estruturantes
Uma das ações centrais da planificação é o curso de formação de multiplicadores do MI-mhGAP, uma metodologia ligada ao Mental Health Gap Action Programme (mhGAP) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa proposta visa capacitar profissionais não especialistas para identificar e manejar transtornos mentais e o uso problemático de álcool, fortalecendo a atuação nas equipes da APS e promovendo melhor integração com serviços de saúde mental especializados.
A metodologia, reconhecida internacionalmente, disponibiliza protocolos clínicos e ferramentas técnicas que ajudam os profissionais a identificar sinais de sofrimento emocional e a orientar o manejo inicial e acompanhamento dos casos de maneira estruturada. Isso é fundamental para garantir um atendimento de qualidade e seguro a quem precisa.
A psicóloga Ingryd Wiegmann Pinheiro, da cidade de Alvorada do Sul, participou do treinamento e ressaltou a importância da formação. Para ela, o curso ampliou a perspectiva dos profissionais sobre o cuidado na área de saúde mental na rede básica. “O treinamento reforçou uma prática que já buscamos na psicologia, que é olhar o paciente de forma ampliada, considerando não apenas o sintoma, mas o contexto social, familiar e emocional. Isso fortalece o cuidado contínuo dentro da Atenção Primária”, explicou.
Impactos da Capacitação e Organização do Atendimento
A formação de multiplicadores é uma forma de ampliar a capacidade técnica das equipes que atuam nas UBS, aumentando a resolutividade da Atenção Primária para atender às demandas. Com o conhecimento adquirido, os profissionais podem acompanhar casos leves e orientar o cuidado diretamente na Atenção Primária, reduzindo encaminhamentos desnecessários para serviços especializados e prevenindo a deterioração dos quadros de saúde mental.
Ingryd enfatizou que levar adiante o conhecimento adquirido é de suma importância. A capacitação gera impactos práticos no planejamento das ações de saúde mental em seus municípios. “Saí da formação já pensando em como implementar estratégias no município, como o matriciamento e o plano terapêutico singular. São ferramentas que ajudam a estruturar um cuidado interdisciplinar e organizado no território”, concluiu.
