O Grande Desconhecido
O maior assassino do Brasil não é um criminoso comum. Ele não tem um rosto, nem armas, e age de forma silenciosa, fazendo em média 235 vítimas diárias — um novo caso a cada seis minutos. Em 2025, cerca de 85 mil brasileiros perderam a vida por causa dele, conforme dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil. O verdadeiro vilão por trás dessas estatísticas é o acidente vascular cerebral (AVC).
O crescente número de mortes por AVC supera até mesmo as causadas pela violência no país. Entretanto, muitos ignoram como ele age e, pior ainda, muitos serviços de saúde não estão adequadamente preparados para diagnosticar e tratar essa condição. A doutora Maramélia Miranda Alves, neurologista e presidente da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), defende que a mortalidade por AVC já é superior à de infartos, evidenciando a gravidade do problema. “Se os fatores de risco fossem controlados, cerca de 50% a 80% dos casos poderiam ser evitados”, afirma.
Entre os principais fatores de risco estão hipertensão, obesidade e tabagismo, formando um verdadeiro ‘quarteto do crime’. Além das vidas perdidas, quem sobrevive ao AVC frequentemente enfrenta sequelas que afetam mobilidade, linguagem e memória. De acordo com a SBAVC, cerca de 50% dos pacientes que chegam ao hospital após um AVC passam a depender de cuidados para realizar atividades diárias, e até 70% ficam fora do mercado de trabalho devido a limitações.
Apesar da gravidade da situação, a recuperação após o AVC é possível. Giuliana Cavinato, uma designer que enfrentou um AVC aos 30 anos, fundou o Instituto Avencer para disseminar métodos de reabilitação e ajudar outros a se recuperarem. “A prevenção é sempre o melhor remédio”, destaca.
