Um Diálogo Cultural entre Brasil e China
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba amplia a conexão entre a cultura brasileira e a chinesa, trazendo à cena da arte contemporânea uma parceria que já dura mais de uma década. Desde 2009, artistas, curadores e instituições chinesas participam do evento, consolidando uma das mais duradouras colaborações culturais entre os dois países. Um símbolo dessa união está no Centro Cívico da cidade: a estátua de Confúcio, presenteado pelo governo chinês para marcar essa relação.
Este ano, a exposição “Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza” ocupa a Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR), e integra o conceito curatorial LIMIARES. A mostra reúne importantes nomes da arte contemporânea chinesa para discutir temas como ecologia, memória, transformação e coexistência. A iniciativa reafirma a arte como linguagem universal capaz de aproximar diferentes culturas e criar diálogos globais.
Reflexões Entre Oriente e América Latina
Curada por Xiao Ge e Windy Lv, a exposição estabelece pontes entre o pensamento oriental — especialmente a noção do Dao, entendida como fluxo constante de metamorfose — e imagens presentes na cultura latino-americana, como o rio e o rizoma. Essas metáforas expressam vida, movimento e convivência, apontando para o momento em que algo se transforma em outra coisa, conceito central de LIMIARES.
Segundo Windy Lv, “O rio nunca pergunta onde estão as fronteiras; ele simplesmente segue seu curso.” Essa frase sintetiza a proposta da mostra, que utiliza a arte para debater convivência, sustentabilidade, memória e paz em um mundo marcado por mudanças rápidas e tensões geopolíticas.
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Arte em Três Núcleos Temáticos
A exposição está dividida em três núcleos: Raízes: Caos e Origem, Rizomas: Natureza e Simbiose, e Frutos: Civilização e Eco. Artistas de diferentes gerações apresentam trabalhos em instalação, vídeo, escultura, fotografia e novas mídias. O percurso parte dos mitos fundadores das civilizações para abordar os desafios ambientais atuais, culminando em reflexões sobre memória, urbanização, identidade e reconstrução cultural.
Dentre os artistas em destaque, está Xu Bing, reconhecido por suas investigações sobre linguagem e sistemas culturais; Yin Xiuzhen, que transforma objetos descartados em instalações sobre memória e urbanização; e Shen Yuan, que explora migração e convivência intercultural em seus projetos site specific. Outros nomes relevantes são Xia Hang, Tong Kunniao e Qian Lihuai, que trazem novas perspectivas sobre materiais tradicionais e crítica social.
Uma Ampla Representação da Arte Chinesa Atual
Além dos nomes já citados, a mostra apresenta uma diversidade de artistas como Yang Song, Chen Fenwan, Wu Guanzhen e Alex Long Yuan, cujas obras transitam entre pintura, performance, inteligência artificial e arte digital. Essa pluralidade evidencia uma produção artística profundamente conectada às questões ambientais, culturais e sociais do mundo contemporâneo.
Para a curadoria, a exposição transcende a esfera artística e assume um papel diplomático. Windy Lv enfatiza que “a cultura é aquilo que nos une, e o diálogo é o que permite que a humanidade mantenha a esperança”, destacando como Brasil e China encontram na arte um espaço para construir aproximações e imaginar futuros compartilhados.
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Realização e Apoio Institucional
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é promovida pelo Ministério da Cultura, Governo Federal, com participação do Museu Oscar Niemeyer (MON), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC Paraná), Paraná Festival e Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) do Governo do Paraná. Conta também com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e da Prefeitura de Curitiba (PR).
O evento tem uma forte circulação regional e internacional, destacando Curitiba como um polo cultural relevante. As redes sociais oficiais (@bienaldecuritiba, @cubic.bienal e @curitibaartweek no Instagram, e @bienaldecuritiba no Facebook, Linkedin e TikTok) ampliam o acesso e a divulgação da programação.
Sobre a Bienal Internacional de Curitiba
Desde 1993, a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba se firmou como uma das principais plataformas da América Latina para a arte e o pensamento contemporâneo. Com exposições, performances e ações educativas, o evento promove um intenso diálogo entre artistas locais e internacionais. Nomes consagrados como Marina Abramović e Cildo Meireles já passaram pelo evento, que também se destaca pelo impacto cultural e educacional na cidade.
Informações para Visitação
Exposição: Na Terra: Fluxos do Devir — Memória, Materiais e Nova Natureza
Curadoria: Xiao Ge e Windy Lv
Local: Sala 3 do Museu Oscar Niemeyer (MON) – Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba (PR)
Período: Até 15 de novembro de 2026
Horário: Terça a domingo, das 10h às 18h (entrada até 17h30)
Ingressos: R$ 36 (inteira) e R$ 18 (meia-entrada); entrada gratuita às quartas-feiras e no último domingo de cada mês.
Apoio: TCL Art (televisores em Led)
