Apoio psicológico é fundamental para famílias durante a internação em UTIs Neonatais
O nascimento de um bebê prematuro traz um desafio significativo para as famílias, especialmente quando ocorre a internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Este é um período marcado por alta vulnerabilidade emocional, e pensando nisso, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) implementa métodos multidisciplinares para apoiar a qualidade de vida tanto das famílias quanto dos recém-nascidos.
Um estudo recente publicado em revistas científicas internacionais indica que mães de bebês prematuros internados em UTIs têm 2,5 vezes mais chances de desenvolver depressão pós-parto. Além disso, 40% dessas mães relatam sintomas de depressão, 26% apresentam sinais de ansiedade e 30% sofrem com estresse pós-traumático. Anna Karolina Rauth Debacco, de 29 anos, e seu marido, Wellington da Silveira Batista da Silva, passaram por essa experiência desafiadora.
O casal enfrentou uma gravidez de risco que culminou no nascimento prematuro de seu filho, Pedro Debacco da Silva, em 14 de agosto de 2025, com apenas 27 semanas, quase três meses antes do previsto. O pequeno Pedro permaneceu internado por 110 dias na UTI Neonatal do Hospital de Clínicas (HC) de Curitiba. Essa unidade, que conta com gestão tripartite (federal, estadual e municipal), é referência na aplicação do Método Canguru, cuja finalidade é minimizar o sofrimento tanto de mães quanto de bebês prematuros.
O Método Canguru vai além do tratamento clínico, envolvendo um acompanhamento multiprofissional que inclui enfermeiros, pediatras, psicólogos e outros especialistas. Essa abordagem visa garantir que o bebê de baixo peso permaneça em contato pele a pele com a mãe ou o pai, favorecendo uma posição vertical. Esse contato contínuo não só ajuda a estabilizar parâmetros vitais do recém-nascido, como também é vital para o bem-estar psicológico dos pais.
O secretário estadual da Saúde do Paraná, Beto Preto, reforça a importância desse suporte: “Compreendemos que o cuidado com o bebê prematuro é indissociável do cuidado com sua família, especialmente a mãe. A saúde mental materna é uma prioridade, pois uma mãe saudável está em melhores condições de estabelecer o vínculo necessário para o desenvolvimento do bebê”.
De acordo com Luciane Favero Basegio, coordenadora da UTI Neonatal do Hospital de Clínicas do Paraná, as mães recebem apoio psicológico desde a identificação de uma gravidez de risco. “Trabalhamos constantemente no binômio mãe e bebê. Oferecemos apoio psicológico no ambulatório pré-natal e acompanhamos gestantes de risco que sabem que provavelmente terão que direcionar o bebê para a UTI”, explica Luciane.
Para Anna, o Método Canguru foi uma ferramenta essencial para atenuar o estresse e a ansiedade associados à internamento de seu filho. Ao se envolver nos cuidados do bebê, ela conseguiu fortalecer sua confiança, contribuindo para o controle emocional e prevenção da depressão pós-parto. “O suporte da psicóloga, que se fez presente com empatia e acolhimento, foi crucial para nós. Uma palavra de conforto, um gesto amigo fizeram toda a diferença”, ressalta Anna.
Jackeline Araujo, psicóloga clínica do Hospital de Clínicas, que acompanha mães de bebês prematuros durante a gestação e a internação, destaca que a maioria apresenta instabilidade emocional. Muitas delas lidam com desafios físicos, como a recuperação de partos difíceis e a falta de uma rede de apoio, o que intensifica o sofrimento. “A separação da casa e do ambiente do bebê, que está na UTI, causa uma grande carga emocional. Isso pode aumentar a ansiedade e o sofrimento”, explica.
Quando as mães são integradas ao Método Canguru, observam uma melhora significativa na experiência. Na Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa), as mães permanecem internadas 24 horas por dia com seus bebês, permitindo um vínculo mais forte e aprendizado dos cuidados necessários. No entanto, essa proximidade também traz desafios, como a necessidade de cuidar da própria saúde mental. Jackeline enfatiza: “É essencial que as mães também tenham momentos para cuidar de si, além de estarem sempre atentas ao bebê”.
Após a alta, as mães que continuam vivenciando instabilidade emocional, ou que têm histórico de depressão e ansiedade, são encaminhadas para atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS) por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência.
